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Economia Estaleiro alemão que fabricou superiate do qual Daniel Vorcaro foi dono é intimado a entregar documentos e indicar dirigentes para depor

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Superiate tem mais de 102,4 metros de comprimento e valor estimado em 350 milhões de euros (cerca de R$ 2,1 bilhões). (Foto: Divulgação)

O estaleiro alemão Lürssen, que fabricou um superiate do qual Daniel Vorcaro foi dono, foi intimado a entregar documentos e a indicar dirigentes para prestar depoimentos sobre eventuais negócios com o banqueiro e outras pessoas ligadas ao Banco Master.

A intimação foi feita pelo liquidante do Banco Master, Eduardo Felix Bianchini, e faz parte do processo de liquidação da instituição financeira que corre nos Estados Unidos. A intimação foi feita em 15 de junho e deu prazo para que a empresa entregasse os documentos até 2 de julho.

O processo tramita sob o chamado Chapter 15 do código de falências americano, mecanismo pelo qual a Justiça dos Estados Unidos reconhece processos de falência ou liquidação conduzidos em outros países.

Com esse reconhecimento, o responsável pela liquidação estrangeira pode buscar informações e documentos nos Estados Unidos. Por meio de seus advogados, o representante também pode solicitar a expedição de intimações a pessoas ou empresas que possam deter documentos ou bens relevantes para a apuração.

No caso da Lürssen, o liquidante pediu dados sobre transações ou negócios envolvendo Vorcaro e outras pessoas relacionadas ao caso Master. Entre os materiais solicitados estão contratos, acordos e cartas de intenção firmados entre o estaleiro e o Banco Master ou pessoas incluídas em uma lista ligada ao caso.

Como mostrou o jornal Financial Times, o iate Nixie, produzido pela Lürssen, foi inicialmente encomendado pelo empresário e ex-jogador canadense Patrick Dovigi e vendido depois a Vorcaro.

Dovigi recomprou o iate depois da prisão do banqueiro em novembro de 2025 e, posteriormente, a revendeu a Nik Storonsky, fundador da fintech Revolut.

A embarcação virou alvo de uma disputa judicial entre Storonsky e a corretora de iates britânica Cecil Wright & Partners, que afirma ter sugerido a Storonsky a compra do veículo, avaliado em 350 milhões de euros (cerca de R$ 2,1 bilhões na cotação atual).

Segundo o Financial Times, a corretora afirma que Storonsky agiu “pelas suas costas” para evitar o pagamento de comissão pela compra do superiate. A corretora processou o executivo em 17,5 milhões de euros.

Modelo de luxo

A Lürssen é uma companhia alemã fundada há mais de 150 anos. O Nixie tem mais de 102,4 metros de comprimento e conta com uma piscina de vidro parcialmente suspensa e um heliponto na parte dianteira do iate.

A embarcação tem um dos maiores beach clubs já instalados pela Lürssen: são quatro terraços com 270 metros quadrados de espaço de convivência à beira-mar. O veículo funciona por meio de um sistema de propulsão diesel-elétrico, com um sistema de armazenamento de energia.

Na intimação do processo de liquidação do Master, o Nixie não é citado. O liquidante pede que a Lürssen forneça dados de transação ou negócio com Vorcaro e outras pessoas ligadas ao caso Master.

Entre os documentos solicitados estão contratos, acordos e cartas de intenção entre a Lurssen e o Banco Master ou uma lista de pessoas ligadas ao caso.

Abrange também eventuais transferências de dinheiro ou de bens para a Lurssen pelo banco ou de pessoas ligadas a eles, o que inclui cheques, avisos de transferência eletrônica de fundos, extratos de conta bancária e comprovantes de depósito.

Além de negócios relacionados ao Banco Master, o pedido inclui também informações sobre transações que envolvam LetsBank, Banco Master de Investimentos e Master Corretora De Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. O LetsBank integrava o grupo Master e foi liquidado pelo Banco Central.

O documento também cita pessoas ligadas ao caso Master que foram alvo de congelamento de bens pelo Banco Central brasileiro. A Lürssen terá de informar se fez negócios ou recebeu dinheiro dessas pessoas. Além de Vorcaro, a lista inclui Maurício Quadrado (ex-sócio do Master), Luiz Antonio Bull (ex-diretor de Compliance do Master), Reinaldo Hossepian (ex-diretor do Letsbank), Felipe Simonsen (ex-sócio do Master) e Armando Gallo (ex-sócio do Master).

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