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Colunistas O futuro não espera

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Empresas costumam fracassar porque não conseguem responder às perguntas fundamentais sobre o futuro. Questões como propósito e direção; vantagem competitiva; metas e indicadores; ações e táticas são balizadores essenciais para as empresas podem também direcionar o que deve ser feito por um país.

Contudo, nossas lideranças ainda pecam quando o assunto é organizar o pensamento estratégico sobre o nosso futuro. Toda a estratégia começa pela definição dos destinos. Poderíamos começar perguntando onde queremos estar daqui a dez ou vinte anos? Que país pretendemos construir, com quais virtudes e diferenciais? Queremos apenas figurar entre as maiores economias ou nos tornar uma sociedade desenvolvida? Continuaremos exportando predominantemente commodities ou agregaremos conhecimento, tecnologia e inovação ao que produzimos? Queremos administrar a pobreza ou criar condições para que milhões de brasileiros escapem dela?

Não precisamos cometer os mesmos erros do passado. O Brasil possui vantagens extraordinárias: água, energia, alimentos, recursos minerais, matriz energética relativamente limpa, grande mercado consumidor e agronegócio competitivo. Em um mundo preocupado com segurança alimentar, transição energética e mudanças climáticas, poucos países dispõem de ativos semelhantes.

Mas possuir recursos não significa saber transformá-los em prosperidade. Banco Mundial e OCDE apontam que, diante da transição demográfica, sustentar o crescimento exigirá mais produtividade, educação, inovação, infraestrutura, investimento e responsabilidade fiscal.

Diante desse quando, podemos nos perguntar qual será a nossa vantagem competitiva? Somos extraordinariamente eficientes em algumas ilhas de excelência e persistentemente ineficientes no conjunto. Produzimos aviões, desenvolvemos uma agricultura tropical admirada, construímos um sofisticado sistema financeiro e criamos soluções digitais de grande escala. Ao mesmo tempo, convivemos com infraestrutura deficiente, burocracia, insegurança jurídica, baixa produtividade e graves falhas educacionais.

Nenhuma estratégia nacional terá êxito sem colocar a educação básica no centro, não como slogan, mas como projeto de produtividade. Alfabetização na idade adequada, domínio de português e matemática, formação de professores, ensino técnico, ciência e tecnologia devem ser tratados como infraestrutura econômica, tão importante quanto estradas, portos e ferrovias.

Há ainda uma urgência: o tempo demográfico está se esgotando. O IBGE projeta que a população brasileira atingirá seu máximo por volta de 2041 e depois diminuirá. A parcela de pessoas com 60 anos ou mais poderá chegar a aproximadamente 38% em 2070. Teremos proporcionalmente menos trabalhadores sustentando uma sociedade mais envelhecida. Se haverá menos pessoas trabalhando, cada trabalhador precisará produzir mais.

Um país não pode ter cinquenta prioridades. Quando tudo é prioritário, nada é prioritário. Poderíamos estabelecer um painel nacional, acompanhado durante vinte anos, independentemente do governo: aprendizagem, produtividade por trabalhador, investimento, renda per capita, pobreza, saneamento, infraestrutura, equilíbrio fiscal e inovação.

Governos seriam avaliados menos pelos programas anunciados e mais pela evolução desses indicadores. Vencer seria permitir que uma criança pobre chegasse à vida adulta com educação de qualidade e condições reais de competir. Seria possibilitar que uma empresa investisse olhando para os próximos vinte anos, sem precisar adivinhar a próxima mudança tributária ou regulatória.

É preciso responsabilizar quem se compromete. O Brasil produz excelentes diagnósticos, mas raramente os transforma em execução continuada. É preciso saber quem é responsável e pelo que. Quem responde pela alfabetização, produtividade, infraestrutura ou sustentabilidade da dívida? União, estados, municípios, Congresso, ministérios ou agências reguladoras? Sem uma estratégia clara e uma responsabilização consequente, continuaremos a adiar o nosso encontro com o futuro.

(Instagram: @edsonbundchen)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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