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Política Ministro do Supremo Dias Toffoli nega ter recursos no exterior

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Há também uma mensagem endereçada a Toffoli que, no contexto, é avaliada pela PF como tentativa de justificar os atrasos ao magistrado. (Foto: Luiz Silveira/STF)

A Polícia Federal suspeita que o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), seria proprietário ou beneficiário final do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, segundo reportagem publicada pela revista piauí na quinta-feira (10) com base em relatório do órgão enviado à corte.

O fundo Arleen comprou uma parte das cotas da Maridt — empresa de José Eugenio e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro, e da qual o magistrado admitiu fazer parte do quadro societário  no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).

Mensagens obtidas pela PF no celular de Vorcaro mostram diálogos que o ex-banqueiro teria tido com seus operadores financeiro, o cunhado Fabiano Zettel, e político, Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, ao saber de atrasos nas transferências para o fundo Arleen.

Há também uma mensagem endereçada a Toffoli que, no contexto, é avaliada pela PF como tentativa de justificar os atrasos ao magistrado. “Oi tudo bem? Gostaria de te ver rapidamente, você teria algum horário hoje?”, escreveu Vorcaro após avisar a Faria que conversaria com Toffoli.

Não há indicação de resposta do ministro no documento da PF.

O Arleen pertencia ao dono do Master e foi comprado pelo empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli, em fevereiro de 2025.

Um mês depois, o fundo alterou seu regulamento para permitir investimentos no exterior e, em dezembro, transferiu todos os seus ativos para a holding Égide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe.

“Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”, diz o relatório da PF.

“Documentos e comunicação (…) sugere m uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, incluindo movimentações envolvendo a Edige I Holding nas Ilhas Virgens Britânicas”, afirma o documento.

O envio de recursos ao exterior teria ocorrido ao longo de 2025.

Nota enviada pelo gabinete do ministro Dias Toffoli afirma que o magistrado “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior” e que “jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas”.

O relatório da PF aborda supostos encontros de Vorcaro e Toffoli. Um dos convites teria sido feito por Toffoli em outubro de 2023, para a comemoração de seus 56 anos em novembro, no Bar dos Arcos, em São Paulo. Não há evidências de que o ex-banqueiro esteve na festa, mas há uma mensagem em que ele afirma para outra pessoa: “Vou para SP domingo. Aniversário do Toffoli”.

O magistrado teria ido, segundo a PF, à casa do dono do Master em novembro de 2023, por sugestão que Fábio Faria, que escreve a Vorcaro: “Melhor na sua casa pro Toffoli ficar mais de boa”.

Em março de 2024, ainda de acordo com o relatório citado na reportagem, o ministro teria convidado o ex-banqueiro para um endereço em Brasília que, de acordo com o órgão, pode ser a residência do membro do STF.

Faria teria intermediado, em abril, outra suposta ida de Toffoli à casa do ex-banqueiro em Brasília. Vorcaro também teria sido convidado ao aniversário do ministro em 2024, desta vez um “jantar/drinks/banda” na casa do ex-deputado Guilherme Mussi, que chama o magistrado de “nosso amigo Zé Tof”. O dono do Master desta vez recusa o convite: “Puxa que pena, vou estar na Suíça a trabalho!”.

Em nota, o gabinete de Toffoli afirma que o ministro “jamais teve relação de amizade ou intimidade com Daniel Vorcaro”.

O documento da PF também aponta, ainda segundo a reportagem, suspeitas de que Daniel Vorcaro tenha influenciado um voto do magistrado em uma ação sobre precatórios da destilaria Alcídia, do grupo Atvos, que cobrava da União reparação de prejuízos causados na década de 1980.

Toffoli tinha um posicionamento historicamente favorável às usinas em ações semelhantes, mas, antes do julgamento da Alcídia, votou a favor da União em um caso parecido e preocupou pessoas ligadas ao Banco Master, uma vez que a decisão sobre a empresa do grupo Atvos impactaria diretamente a carteira de precatórios do setor sucroalcooleiro no balanço do Master, que somava mais de R$ 10 bilhões.

Os diálogos extraídos pela PF do celular de Vorcaro sugerem ação do diretor jurídico do banco, André Kruschewsky, e do ex-ministro Fábio Faria.

Segundo o órgão, Kruschewsky aparentava “ter acesso ao STF inclusive para ‘tirar de pauta’ o processo em questão”.

No dia do julgamento, o ministro Kassio Nunes Marques pediu vista do processo, e Toffoli registrou ausência justificada. Com informações da Folha de S. Paulo.

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