Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Por Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves | 24 de setembro de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O El Niño exige providências. Os alertas meteorológicos devem orientar decisões antes que chuvas intensas, secas e calor extremo coloquem comunidades em perigo. No Brasil, a prevenção precisa mobilizar as três esferas de governo, sem interesses particulares ou eleitorais.
Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial e por alterações na circulação atmosférica, o fenômeno influencia chuvas e temperaturas em diferentes regiões. Sua ocorrência não segue uma alternância anual obrigatória com La Niña, pois também existem períodos de neutralidade.
Em território brasileiro, o El Niño costuma favorecer chuvas mais abundantes no Sul e elevar o risco de seca em partes do Norte e do Nordeste. Esses efeitos variam conforme a estação e outras condições climáticas. Portanto, o planejamento deve considerar as particularidades de cada território e as atualizações dos órgãos técnicos.
Não é necessário recorrer a números de mortes sem confirmação nem atribuir toda tragédia ao fenômeno para reconhecer a urgência. Informação correta e prevenção consistente são mais úteis do que o alarmismo. A previsão de um risco deve abrir caminho para medidas concretas.
Prefeituras precisam identificar áreas vulneráveis, manter sistemas de drenagem, preparar abrigos e organizar evacuações. Governos estaduais devem apoiar os municípios e fortalecer as equipes de resposta. A União deve assegurar coordenação, suporte técnico e recursos, com transparência e critérios de prioridade.
Também é indispensável preparar o abastecimento de água, os serviços de saúde e o apoio às comunidades mais expostas. O alerta só cumpre sua função quando chega a tempo e informa como agir e onde buscar proteção.
Autoridades que conhecem os riscos de suas regiões não devem esperar pelo desastre para anunciar providências. A disputa política precisa ceder lugar à cooperação. Proteger vidas exige planejamento, execução e fiscalização.
* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves, dirigente da ASPOMIL (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo)
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Os efeitos dos fenômenos climáticos não são previamente mensuráveis, logo, por mais que se tomem atitudes prévias, não há como prever o tamanho do fenômeno, nem a extensão da catástrofe, logo, nem sempre a prevenção funciona. Porto Alegre foi um exemplo disso em 2024, onde mesmo tendo comportas e sistemas, eles falharam, pois não eram suficientes para tamanha magnitude do fenômeno climático, e não sabemos se o que está sendo feito e o que ainda será feito será o suficiente para o próximo episódio.