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Curiosidades Justiça proíbe venda de objetos retirados do Titanic

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Proibição abrange itens recuperados do transatlântico que afundou em 1912. (Foto: Atlantic Productions/Magellan)

Uma juíza federal manteve a proibição do leilão de cem artefatos resgatados do naufrágio do Titanic há décadas por uma empresa autorizada pelo tribunal a exibir — mas não vender — itens recuperados do transatlântico que afundou em 1912.

A juíza Rebecca Beach Smith, do Tribunal Distrital dos EUA em Norfolk, Virgínia, decidiu que detém jurisdição sobre todos os artefatos trazidos à superfície pela RMS Titanic Inc. — empresa de Atlanta que detém os direitos exclusivos de resgate — e que continuaria a avaliar se tal venda deveria ser permitida.

A empresa havia contestado a autoridade de Smith sobre os 1.800 artefatos recuperados durante sua primeira expedição para resgatar itens do navio, em 1987. No entanto, a juíza determinou que tem poder para fazer cumprir um acordo de 2011, firmado entre a empresa e o tribunal, para manter reunidos todos os artefatos resgatados ao longo dos anos.

A RMS Titanic resgatou 5.500 artefatos frágeis do local do naufrágio em sete expedições, sendo a última realizada em 2004. O tribunal de Norfolk concedeu à empresa os direitos exclusivos de resgate em 1994 e tem supervisionado as operações desde então.

Fora de jurisdição

A empresa espera vender os cem artefatos — incluindo uma estátua de bronze de um querubim, proveniente da grande escadaria do navio, e um sino da gávea — para lidar com o que descreveu como pressões financeiras.

Os governos dos EUA e da França manifestaram oposição à venda, assim como 19 grupos e indivíduos dos EUA e da Europa.

Em uma audiência este mês, a empresa argumentou que o tribunal federal não tinha jurisdição sobre os artefatos resgatados na expedição de 1987, uma operação conjunta franco-americana. Em 1993, a empresa obteve a propriedade dos artefatos recuperados naquela expedição por decisão de um tribunal francês, após prometer nunca vender os itens nem desmembrar a coleção. Inicialmente, os artefatos foram enviados à França para conservação. Mais tarde, a empresa levou esses itens para os EUA; eles são conservados em Atlanta, juntamente com milhares de outros objetos do navio. A empresa se financia por meio de exposições itinerantes e de duas mostras permanentes, em Las Vegas e Orlando. A empresa afirma que 35 milhões de pessoas já visitaram as exposições.

Um ponto central do caso é um conjunto de cláusulas e condições que a RMS Titanic aceitou em 2011, em troca de Smith conceder à empresa a titularidade de todos os artefatos recuperados após 1987. Uma das condições estabelece que os chamados “Artefatos Americanos” — aqueles resgatados após 1987 — “devem, na maior medida possível e em conformidade com práticas razoáveis de gestão de acervos, ser conservados e mantidos em conjunto com a Coleção de Artefatos Franceses do Titanic, como um todo integrado”.

Na decisão de segunda-feira, Smith escreveu que o leilão proposto representa “uma ameaça aparente à integridade tanto da coleção americana quanto da francesa”.

A juíza ordenou que a empresa apresentasse um inventário de todos os 5.500 artefatos, incluindo quando e onde cada um foi resgatado, onde se encontra atualmente e a “condição, integridade e situação” de cada peça. Ela também determinou que a RMS Titanic apresente detalhes sobre a “viabilidade financeira contínua da empresa para manter as Coleções do Titanic, cumprindo suas obrigações como fiel depositária”.

Como parte de seu plano de leilão, a RMS Titanic havia apresentado ao tribunal uma lista dos artefatos que pretende vender.

A empresa declarou enfrentar dificuldades financeiras, mas não especificou o montante das perdas. Smith havia questionado a gravidade dos problemas financeiros este mês, observando que uma das coproprietárias da empresa é uma subsidiária da Apollo Global Management Inc., “uma das maiores empresas de private equity do mundo, com bilhões de dólares em receita anual e ativos sob gestão.”

Brian A. Wainger, advogado da empresa, respondeu: “A empresa RMST passa por dificuldades financeiras. Tudo o que informamos ao tribunal é absolutamente verdadeiro.”

Smith afirmou que poderá realizar uma audiência para determinar se a venda proposta constituiria uma violação do acordo de 2011 firmado pela empresa e, em caso afirmativo, qual medida seria apropriada. Em resposta à decisão judicial, a empresa divulgou um comunicado por escrito ressaltando sua atuação como “guardiã responsável desta coleção de artefatos de importância histórica” informando que analisaria os próximos passos a serem tomados.

O Titanic afundou em sua viagem inaugural após colidir com um iceberg em 14 de abril de 1912, resultando na morte de 1.500 passageiros e tripulantes. O trabalho de resgate dos destroços tem sido alvo de controvérsia, com críticos classificando a atividade como profanação de túmulos. Já os defensores afirmam que se trata de uma uma maneira de homenagear as pessoas que morreram, usando os artefatos para contar as suas histórias. As informações são do jornal O Globo.

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