Sábado, 26 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de setembro de 2026
Aos 48 anos, a apresentadora Maju Coutinho anunciou que está grávida do primeiro filho. Aos 45, Sabrina Sato está no sexto mês de gestação do seu segundo filho, enquanto a atriz Claudia Raia se tornou mãe aos 55 anos, em 2022. Casos como esses chamam atenção por ocorrerem em uma fase da vida em que a fertilidade feminina já sofreu uma queda acentuada e em décadas atrás era algo extremamente raro de acontecer.
Mais do que exceções, esses casos colocam em evidência o avanço da medicina reprodutiva, que faz com que as mulheres possam contar com técnicas capazes de ampliar as possibilidades de engravidar mesmo quando os ovários já não funcionam tão bem como aos 20 ou 30 anos.
Porém, é preciso cuidado para não se enganar com a impressão de que a idade deixou de ser um obstáculo quando o assunto é gravidez. A medicina evoluiu, mas não conseguiu interromper o envelhecimento do sistema reprodutivo. A quantidade e a qualidade dos óvulos continuam diminuindo com o passar dos anos, e os riscos de uma gestação aumentam com o avançar da idade.
A diferença é que, atualmente, existem formas de contornar parte dessas limitações. Congelamento de óvulos, fertilização in vitro, congelamento de embriões e doação de óvulos são algumas das alternativas disponíveis.
A fertilidade feminina começa a diminuir de maneira mais perceptível a partir dos 30 anos e sofre uma queda acentuada depois dos 35. Isso acontece porque as mulheres já nascem com uma quantidade limitada de óvulos e ao longo da vida essa reserva vai diminuindo a cada mês.
Assim, uma mulher pode continuar ovulando aos 45 anos e ainda assim ter uma chance muito menor de engravidar do que tinha duas décadas antes. Mesmo quando a fecundação acontece, cresce a probabilidade de o embrião apresentar alterações cromossômicas, o que pode dificultar sua implantação, acarretar condições de saúde para o bebê ou aumentar o risco de perda gestacional.
Por isso, uma das principais dificuldades de uma gravidez tardia está no próprio óvulo. “Nascemos com esses óvulos, que ficam sujeitos a doenças, medicamentos, poluição, estresse e tudo que nós passamos ao longo da vida. Isso significa uma alteração na energia celular. Então, ele vai sofrendo um impacto com o tempo e perdendo essa capacidade de produzir energia para a célula.
Com isso, o óvulo passa a ter dificuldade de separar os pares de cromossomos para formar um embrião e vêm as alterações”, explica Fernanda Polisseni, ginecologista da Associação Brasileira de Reprodução Assistida e professora da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).
Já nos homens o processo é diferente. Eles produzem novos espermatozoides ao longo da vida, embora existam mudanças relacionadas à idade masculina que também aumentam as chances desses espermatozoides apresentarem condições menos favoráveis para uma fecundação.
O congelamento de óvulos surge como uma opção para as mulheres preservarem seus óvulos enquanto ainda não há essa queda acentuada de qualidade e quantidade devido à idade. A técnica permite retirar óvulos dos ovários, congelá-los e armazená-los para uma utilização futura através da FIV (fertilização in vitro).
A FIV é uma técnica de reprodução assistida em que a fecundação do óvulo pelo espermatozoide ocorre em laboratório, ou seja, fora do corpo da mulher. Após a fecundação, o embrião formado é transferido para o útero na tentativa de iniciar uma gestação.
“Entre os 30 e 35 anos consideramos a idade ideal para fazer esse congelamento, porque é a idade de quem que a mulher ainda tem uma boa quantidade de óvulos com qualidade. É possível congelar depois dessa idade, mas é necessário ter em mente que a chance de conseguir uma gravidez é ajustada de acordo com a idade em que esses óvulos estão sendo congelados”, diz Polisseni.
Quando uma mulher congela seus óvulos aos 30 anos e decide tentar engravidar aos 45, por exemplo, são usados os gametas que foram preservados antes da queda mais acentuada da qualidade ovocitária. Assim, mesmo que ela tenha quinze anos a mais, seus óvulos mantêm a idade em que foram coletados e congelados.
Ao manter essa qualidade de quando era mais jovem, aumenta-se as chances de uma fecundação e consequentemente de uma gestação, no entanto, isso não é uma garantia de gravidez, pois nem todos os óvulos descongelados sobrevivem ao processo, são fecundados ou dão origem a embriões capazes de resultar em um nascimento.
Para mulheres nessa situação, que não possuem óvulos adequados para uma tentativa de fertilização, ou que não fizeram o congelamento, existe ainda outra possibilidade que é a doação de óvulos. Nesse caso, os óvulos de uma doadora são fecundados em laboratório e o embrião formado é transferido para o útero da mulher que pretende engravidar.
“Nesses casos, conseguimos reduzir o impacto da idade sobre a qualidade genética do óvulo, mas não eliminamos os efeitos do envelhecimento sobre o organismo da mulher que irá carregar a gestação. Por isso, uma mulher de mais de 45 pode, sim, chegar a uma gestação, mas estamos falando de uma situação muito diferente de uma gravidez natural aos 48 ou 50 anos”, diz Larissa Pires, ginecologista e obstetra, especializada em reprodução humana e medicina fetal.
Apesar dos avanços da ciência, depois dos 40 anos, alguns problemas durante a gravidez se tornam mais frequentes. Entre eles estão hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, alterações placentárias, parto prematuro e necessidade de cesariana.
“Há também os riscos fetais como aumento de taxa de aborto, aumento de risco cromossômico e aumento do risco de restrição de crescimento fetal por uma placentação inadequada”, explica Karina Belickas, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana.
Isso não significa que toda gravidez depois dos 45 anos será considerada de risco, alto risco ou terá complicações, a idade é apenas um dos fatores avaliados pelos médicos. O estado de saúde da mulher, doenças preexistentes, histórico obstétrico e condições específicas da gestação também influenciam. As informações são da emissora internacional de notícias da Alemanha Deutsche Welle.
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