Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de setembro de 2026
Depois de 40 dias de campanha eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois principais candidatos na disputa pela Presidência da República, consolidaram o Nordeste como uma das regiões mais visitadas no período.
De um lado, Lula escolheu a região para manter a ampla vantagem que o PT costuma ter em todos os nove Estados e para fortalecer os candidatos locais. Do outro, Flávio trabalhou para formar palanques que possam reduzir um esperado triunfo petista na região.
Lula decidiu dar atenção especial ao Nordeste na reta final. Na quinta-feira, 24, ele esteve em Alagoas. Nesta sexta-feira, 25, foi para Pernambuco.
“O Nordeste não vai voltar a ser tratado como uma região de quarta categoria. O Nordeste aprendeu a gostar das coisas boas”, disse o petista, em Recife, num discurso recorrente para comparar como era a região antes dos governos dele.
Depois de fazer a primeira ida ao Norte, onde deverá visitar o Amazonas e o Pará, Lula irá ao Ceará e revisitará a Bahia. Depois disso, o presidente focará em atos na região Sudeste.
A atenção especial de Lula se justifica pela pressão de seus aliados em cada um desses Estados. Na Bahia, Estado onde o petista recebeu mais votos no Nordeste no segundo turno das eleições 2022, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) terá uma disputa parelha pela reeleição contra o ex-deputado ACM Neto (União).
Em Alagoas, pesquisas apontam empate técnico entre o senador Renan Filho (MDB) e o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB) pelo governo do Estado, com Renan Calheiros (MDB) na disputa ao Senado. Lula foi ao Estado a pedido da família Calheiros para reforçar a campanha deles em Alagoas.
Em Pernambuco, o petista também compareceu ao Estado a pedido do aliado, o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB). Levantamentos mostram disputa apertada entre Campos e a governadora Raquel Lyra (PSD) na eleição para o governo do Estado – lugar em que o apoio do presidente é visto como desequilibrante para assegurar o vitorioso.
A associação de Lula com o candidato ao governo é também uma estratégia no Ceará. Em entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, no começo de agosto, Lula disse que a tática da campanha no Estado é vincular seu nome ao de Elmano de Freitas (PT), que tenta a reeleição. “Com o meu apoio, com o do Camilo (Santana), do Cid (Gomes), é quase humanamente impossível Elmano não ganhar as eleições. Vamos vincular – quem vota no Lula, vota no Elmano”, afirmou.
O cenário na disputa pelo governo do Estado é de outro empate técnico entre Elmano e Ciro Gomes (PSDB).
Coordenadores de campanha do PT acreditam que Lula deverá novamente ganhar nos Estados do Nordeste com sobra em relação aos adversários, mas a expectativa inicial de que o presidente pudesse até mesmo ampliar a vantagem que teve em 2022 parece ter esvaecido.
Com o Sul e o Centro-Oeste garantidos como redutos bolsonaristas, poucos votos a colher no Norte (com 8,26% do eleitorado nacional) e o Sudeste tratado como peça-chave da eleição (41,78% dos votos), a campanha de Flávio deu ao Nordeste o segundo lugar na lista de prioridades. Começou pela escolha do vice, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). O homem forte da equipe, Rogério Marinho, também vem da região: é senador pelo Rio Grande do Norte.
Os Estados nordestinos concentram 27,42% do eleitorado nacional e votam majoritariamente no PT desde 2006. Portanto, avançar nessa região é tirar diretamente votos de Lula – e é o que o PL vem tentando fazer desde antes das eleições, preparando o terreno. Em 2025, Marinho levou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) numa turnê pelo Nordeste, numa iniciativa chamada Rota 22, para propagandear obras feitas no governo do aliado e tentar dilapidar a fortaleza de votos que os petistas mantêm na região.
A leitura dos bolsonaristas era que, apesar de o PL ter apresentado mau desempenho no Nordeste em 2022 – enquanto o PT teve 50,90% contra 49,10% na disputa nacional contra Bolsonaro, o placar foi de 69,34% contra 30,66% nesses Estados no segundo turno –, agora Lula enfrenta desafios na região com a corrosão do poder de compra e o endividamento das famílias.
Durante um comício em Vitória da Conquista (BA), por exemplo, Flávio escolheu discursar sobre o Bolsa Família, programa de transferência de renda de grande impacto no Estado, inclusive declarando que o candidato do PL ao Senado, o ex-ministro João Roma, foi quem teria sugerido ao então presidente Jair Bolsonaro reajustar o valor do benefício – quando, na verdade, o fortalecimento do auxílio para combater a pobreza foi articulação da sociedade civil e do Congresso durante a pandemia de covid-19.
Em Maceió, no mês passado, Flávio declarou que, “se não fosse o presidente Bolsonaro, muita gente ia passar fome” e que “foi ele quem colocou o Bolsa Família com o valor de, no mínimo, R$ 600”. (Com informações do portal Estadão)
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