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Colunistas PISA revela a estagnação do ensino brasileiro e destaca o desempenho do Paraná

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Foto: Freepik

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) de 2025, divulgados pela OCDE, recolocam a educação brasileira diante de uma realidade difícil de ignorar. A avaliação, realizada com estudantes de 15 anos em 91 países, mostra que o desempenho do Brasil na educação permanece praticamente estagnado. Em matemática, leitura e ciências, os resultados de 2025 ficaram próximos dos registrados desde 2015.

No cenário internacional, os melhores desempenhos continuam concentrados no Leste Asiático, com destaque para Singapura, Japão, Coreia do Sul, Macau e Taiwan. O Brasil permanece distante desse grupo e apresenta resultados inferiores aos de diversos países latino-americanos, como Uruguai, Chile, México, Costa Rica, Peru e Colômbia.

Esse quadro merece uma reflexão que vá além da tradicional “falta de recursos financeiros”. Uma educação de qualidade depende efetivamente de investimentos, mas também de gestão, frequência escolar, formação e valorização dos professores, métodos pedagógicos, acompanhamento do desempenho dos alunos e avaliação.

Em 2025, pela primeira vez, a OCDE divulgou resultados do PISA com recorte por estados brasileiros, e o Paraná apresentou o melhor desempenho entre as unidades da Federação, seguido por São Paulo e Santa Catarina. O resultado colhido abre uma questão importante: se existem experiências educacionais bem-sucedidas dentro do Brasil, por que não as estudar e verificar quais práticas podem ser adaptadas a outras redes de ensino? A simples importação de modelos de países de alto desempenho pode não ser suficiente. Sistemas educacionais são construídos dentro de contextos históricos, sociais e culturais específicos. O que funciona em Singapura, no Japão ou na Finlândia pode não produzir os mesmos resultados em uma escola brasileira. Um caminho alternativo seria olhar para dentro do próprio país, identificar experiências que apresentam bons resultados e compreender os mecanismos que podem ter contribuído para isso.

O bom desempenho do Paraná está associado a um conjunto de políticas educacionais que envolve organização pedagógica, gestão, tecnologia, acompanhamento e avaliação dos estudantes, com destaque na frequência escolar e no combate à evasão. A lógica é simples: nenhuma metodologia de ensino produz resultados se o aluno não estiver na escola ou se a aula não acontecer. Outro componente é a incorporação da tecnologia ao processo educacional. No Paraná, o uso de celulares e outros dispositivos digitais é submetido a regras e, quando autorizado, é direcionado para atividades pedagógicas. Plataformas digitais, recursos de gamificação e trilhas de aprendizagem são utilizados em áreas como matemática e ciências. Na resolução de problemas e no desenvolvimento de competências digitais, programas como o Edutech procuram aproximar os estudantes da programação, da lógica, da robótica e de outras ferramentas tecnológicas. Na leitura e na produção de textos, plataformas digitais são utilizadas para estimular a leitura e apoiar atividades de produção textual usando a inteligência artificial.

Há ainda uma aposta em disciplina, organização e acompanhamento, expressa, entre outras iniciativas, na expansão dos colégios cívico-militares. Em 2026 o Paraná passou a contar com 345 escolas nesse formato, o maior número entre os estados brasileiros. Programas de intercâmbio internacional procuram estimular o desempenho acadêmico e o aprendizado de idiomas, adotando na seleção de candidatos critérios que incluem os resultados nas provas regulares e nas plataformas de idiomas, gerando a cultura de meritocracia e de dedicação aos estudos.

Os resultados do PISA fornecem instrumentos de comparação e um alerta: por que algumas redes de ensino brasileiras conseguem resultados melhores do que outras? O caso paranaense merece ser examinado como um laboratório de políticas públicas. Se esse estado conseguiu construir um desempenho diferenciado nas próprias condições brasileiras, conhecer essa experiência, avaliar os seus resultados e identificar o que pode ser replicado talvez seja um caminho concreto para enfrentar o persistente déficit de aprendizagem do país. O PISA não oferece respostas, mas fornece um ponto de partida para uma discussão que o Brasil não deveria adiar.

* Eduardo Allgayer Osorio – engenheiro agrônomo e professor titular da UFPEL aposentado

 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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