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Eleições 2026 A reta final da campanha teve um movimento simultâneo de eleitores na direção de Lula e Flávio Bolsonaro

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Lula e Flávio avançam juntos em segmentos estratégicos, com distância entre os dois inalterada a dias da votação. (Foto: Terdag Media)

A reta final da campanha teve um movimento simultâneo de eleitores na direção de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A nova pesquisa do Datafolha mostrou sinais de que os dois principais candidatos recebem acenos de segmentos estratégicos do eleitorado, em busca de um impulso para os últimos dias de disputa.

A variação positiva de dois pontos experimentada pelo petista e pelo bolsonarista é reflexo de estímulos que as duas campanhas vêm tentando ativar: a máquina do governo, a identidade religiosa e a memória de eleições passadas.

Pontos-chave

Lula dá alguns sinais de fôlego em segmentos estratégicos, que parecem responder a estímulos enviados pelo governo e pela campanha petista nas últimas semanas.

A disputa espiritual também mexeu no alinhamento de grupos religiosos: Lula se aproximou mais dos católicos, Flávio reforçou o domínio entre evangélicos.
Faltando poucos dias para a votação, parte do eleitorado que hesitava em escolher Lula ou Flávio abandona a indecisão e volta a se concentrar nos dois campos que já tinha escolhido em 2022.

A variação que Lula experimentava na semana final de campanha não é dispersa: está concentrada na população de baixa renda, no Sudeste e entre eleitores que avaliam o governo como regular. São grupos tradicionalmente sensíveis a estímulos econômicos como o reajuste do Bolsa Família e a medidas de impacto como a proibição das bets.

Entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, Lula subiu quatro pontos na comparação com a pesquisa anterior. Apesar do salto, o petista continua abaixo do patamar que tinha nesse segmento em 2022, um déficit de sete pontos em relação à semana final daquela campanha.

No Sudeste, o avanço do petista foi de cinco pontos. A alta num terreno permeável ao bolsonarismo sugere que anúncios recentes penetraram na região, que também concentra uma grande quantidade de beneficiários de programas do governo.

Entre brasileiros que avaliam o governo como regular, o crescimento foi de quatro pontos. Esse é o principal foco do governo: um eleitor que não é fiel nem hostil e que pode ser convencido a manter o atual presidente no cargo em vez de experimentar uma troca.

A leitura conjunta dos três números sugere que Lula finalmente conseguiu mover ponteiros em grupos que se mantinham hesitantes em relação à sua reeleição. Por outro lado, o momento dessa variação, a dias do primeiro turno, também pode indicar um alinhamento mais frágil do que uma fidelização construída ao longo da campanha.

Efeitos da “guerra santa”

A pesquisa captou um movimento religioso na esteira do caso Nossa Senhora. Os esforços de Lula para reforçar sua identificação com o eleitorado católico parecem ter sido recompensados, enquanto Flávio aprofundou seus laços com os evangélicos.

Lula ampliou seu domínio entre os católicos, com um ganho de cinco pontos em relação à pesquisa da última semana. Flávio, por sua vez, teve um reforço de cinco pontos entre os evangélicos, eleitorado já historicamente fiel ao bolsonarismo.

Os números do Datafolha também mostram que uma parte do público que se dividiu entre Lula e Jair Bolsonaro em 2022 está buscando novamente o caminho de casa. Na última semana de campanha, cresceu o alinhamento entre esses eleitores e os dois principais campos políticos em disputa.

O salto entre os dois lados é praticamente simétrico:

* Entre os eleitores de Lula no segundo turno de 2022, a parcela que hoje declara voto no petista subiu de 78% para 84%.

* Entre os eleitores de Jair Bolsonaro naquele mesmo turno, a parcela que hoje declara voto em Flávio passou de 73% para 79%.

A convergência a poucos dias da votação dá destaque a um grupo de brasileiros que flertou com candidatos alternativos e até com a indecisão ao longo do primeiro turno (possivelmente por fadiga em relação a Lula e resistência ao clã Bolsonaro), mas voltou a se alinhar ao grupo de quatro anos atrás. (Análise de Bruno Boghossian/Folha de S.Paulo)

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