Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de outubro de 2026
“Menos Janja e mais Alckmin”. Foi este o recado transmitido pela ex-senadora Kátia Abreu ao participar, na terça-feira (6), de uma reunião ampliada da cúpula do PT. Na sua avaliação, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição precisa mudar radicalmente e mostrar mais o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), para se aproximar do centro.
A crítica de Kátia, aplaudida no encontro, foi apoiada por deputados, senadores e aliados do PT, que também têm pedido “menos artistas e mais povo” na propaganda eleitoral de Lula.
Kátia se filiou ao PT em abril e hoje coordena a campanha do presidente no Tocantins. Com trajetória política construída no setor agropecuário, a ex-senadora presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e foi ministra da Agricultura no governo de Dilma Rousseff. Antes disso, porém, era ferrenha adversária do PT, tendo passado por partidos como DEM (hoje União Brasil), PP e MDB, entre outros.
A referência a Janja foi feita por Kátia como um exemplo de erros cometidos pela campanha de Lula durante o primeiro turno. Como mostrou o Estadão, o presidente escalou Alckmin para se aproximar da centro-direita nesta segunda rodada da disputa.
Em nota, a assessoria de Janja informou que a primeira-dama conta com o apoio de Lula em sua atuação. “Independente do que falem, Janja seguirá na campanha. Sua participação é legítima e sempre respaldada pelo presidente Lula. O objetivo de todos os envolvidos é um só: reeleger o presidente!”, disse a assessoria.
A estratégia do PT, agora, será explorar a rejeição do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL que ultrapassou Lula na primeira rodada da disputa, e adotar a tática do medo do que pode representar uma eventual vitória do filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As críticas feitas pela ex-senadora não são isoladas. Desde o resultado das urnas, no domingo (4), dirigentes do PT e aliados vêm fazendo um processo de “caça às bruxas” para encontrar culpados pelo que chamam de “tragédia anunciada”.
A atuação do presidente do PT, Edinho Silva, coordenador-geral da campanha de Lula, tem sido muito questionada por seus pares, assim como a do ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira. O ministro é sócio do publicitário Raul Rabello, que assina a propaganda eleitoral de Lula.
Diante de Lula, de Edinho e de Sidônio, na noite de segunda, por exemplo, petistas e aliados do partido afirmaram que a campanha do primeiro turno do PT foi “despolitizada”. De acordo com essas críticas, os programas de Lula deram prioridade a temas “abstratos”, como “terras raras”, enquanto Flávio falava da vida real e mostrava o preço dos alimentos no supermercado como exemplo da alta do custo de vida.
Muitos dirigentes do PT também têm reclamado da falta de material de Lula para distribuir nos Estados e da “descoordenação política”.
Agora, a menos de 20 dias da segunda etapa da disputa, o presidente decidiu escalar o líder do PT no Senado, Camilo Santana, para dividir o comando da campanha com Edinho. Ex-ministro da Educação, Camilo ganhou pontos com Lula após trabalhar para reeleger o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que enfrentou um confronto muito difícil com Ciro Gomes (PSDB).
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), sugeriu ao presidente, por sua vez, que faça mais selfies para postar nas redes sociais. “Precisamos divulgar melhor nossas entregas nas redes sociais e falar de futuro”, propôs Fonteles. Lula respondeu que só gostava de falar o essencial no celular.
Nessa quarta-feira (7), no entanto, ele decidiu gravar uma selfie. “Você percebeu que o Congresso Nacional começou a votar o fim da escala 6×1. Eu quero saber como é que o Flávio Bolsonaro vai votar, como é que ele vai orientar o PL para votar”, disse o presidente. “Agora chegou a hora de o povo saber a verdade: quem é quem neste País”, completou.
O fim da escala 6×1 é uma das bandeiras da campanha de Lula. Flávio chamou a proposta de emenda à Constituição (PEC) de “oportunista” e evita dizer se votará contra ou a favor do texto, que tramita no Senado. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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