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Acontece RS moderniza ensino agrícola e beneficia 431 estudantes em São Luiz Gonzaga

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Aquisição foi viabilizada por meio do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper).

Foto: Divulgação Escola Técnica Estadual Cruzeiro do Sul

A modernização do ensino técnico agrícola no Rio Grande do Sul ganhou um novo capítulo com a entrega de uma plantadeira à Escola Técnica Estadual Cruzeiro do Sul, em São Luiz Gonzaga. O equipamento foi adquirido por meio do Programa Desenvolve RS Rural – Escolas Técnicas, da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com investimento de R$ 300 mil. Mais do que a renovação de um implemento agrícola, a iniciativa representa uma estratégia de qualificação profissional, aproximação dos estudantes com a agricultura de precisão e fortalecimento da permanência dos jovens no campo.A escola atende atualmente 431 estudantes, sendo 319 matriculados nos cursos Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio e Técnico em Agropecuária Subsequente, além de 112 alunos vinculados ao estágio supervisionado. Vindos de 12 municípios da Região das Missões, muitos desses jovens encontram na instituição um espaço de formação voltado diretamente às demandas do agronegócio contemporâneo e da agricultura familiar.

A aquisição foi viabilizada por recursos do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), dentro de uma política pública que busca fortalecer a infraestrutura das escolas agrícolas da rede estadual. Em um cenário em que o setor agropecuário incorpora cada vez mais tecnologia, a atualização dos equipamentos passa a ser um elemento central para garantir que os futuros técnicos saiam preparados para os desafios encontrados nas propriedades rurais.

O diretor da escola, Ayrton Avila da Cruz, destaca que os benefícios do investimento ultrapassam os aspectos operacionais. “O recurso financeiro investido nos deu a possibilidade de ter um implemento novo. Sem esse aporte não seria possível. Então, o recurso se torna fundamental e estratégico. A máquina nova melhora a autoestima dos professores, funcionários e alunos e mostra para a comunidade que a escola agrícola tem equipamentos que acompanham a evolução da agropecuária”, afirma.

A nova plantadeira será utilizada em disciplinas como Mecanização Agrícola, Agricultura Geral, Culturas Anuais e Gestão Rural. Na prática, os estudantes terão contato com processos de regulagem, manutenção e operação do equipamento, além de compreender fatores essenciais para o desempenho das lavouras, como profundidade de semeadura, distribuição de sementes, aplicação de fertilizantes e condições de umidade do solo.

A importância dessa experiência prática ganha relevância diante da crescente tecnificação do campo. Máquinas mais modernas exigem operadores e técnicos capacitados, capazes de interpretar dados, realizar ajustes de precisão e compreender os impactos das decisões de manejo sobre a produtividade. Nesse contexto, a escola passa a reproduzir situações semelhantes às encontradas nas propriedades rurais e empresas do setor.

Segundo Ayrton, essa vivência reduz a distância entre a formação acadêmica e a realidade do mercado de trabalho. “Quando o estudante recém-formado chegar em uma propriedade rural para realizar seu estágio e se deparar com uma máquina moderna, ele vai ter a tranquilidade de que já teve contato com esta tecnologia na escola durante o desenvolvimento do curso. Uma escola bem equipada empodera seus alunos para que sejam inseridos no mundo do trabalho rural com mais tranquilidade.”

Além do uso pedagógico, a plantadeira terá papel estratégico na produção da própria instituição. O equipamento será empregado nas lavouras de soja, milho e canola mantidas pela escola. A previsão é que a primeira operação ocorra durante o plantio da próxima safra de soja, em uma área de 115 hectares, permitindo que os alunos acompanhem todas as etapas da atividade em condições reais de campo.

O investimento também dialoga com um dos principais desafios enfrentados pelas regiões rurais brasileiras: a sucessão familiar na agricultura. A saída de jovens do campo em busca de oportunidades nos centros urbanos preocupa gestores, entidades agrícolas e produtores. A criação de ambientes educacionais equipados e conectados às novas tecnologias surge como uma das ferramentas para tornar a atividade agropecuária mais atrativa às novas gerações.

Essa visão encontra respaldo nos resultados preliminares da pesquisa Futuro do Campo – Diagnóstico da Juventude Rural no RS, desenvolvida pela SDR em parceria com a Emater/RS-Ascar e a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão. O levantamento mostra que 92% dos jovens entrevistados afirmam gostar ou gostar muito do modo de vida ligado à agricultura familiar, sinalizando que o desafio não está necessariamente no interesse pela vida rural, mas na disponibilidade de oportunidades para construir um futuro profissional no interior.

Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, a qualificação profissional é peça-chave nesse processo. “A pesquisa Futuro do Campo mostra que 92% dos jovens gostam da vida rural. Nosso papel é criar condições para que possam construir seu futuro onde vivem. Investir em formação técnica e tecnologia é fortalecer a sucessão rural”, ressalta.

Na avaliação do diretor da escola, a presença de equipamentos modernos contribui para estimular o protagonismo dos estudantes e reforçar a percepção de que o agronegócio oferece possibilidades de crescimento profissional. “Uma parcela significativa dos jovens rurais, filhos de agricultores, poderá levar os conhecimentos adquiridos na escola para as suas propriedades e permanecer no campo, fazendo a sucessão rural. O equipamento novo desperta no jovem o gosto pela atividade. Ele percebe o quanto é gratificante ter acesso a máquinas e equipamentos que facilitam a prática agropecuária do dia a dia”, enfatiza.

A iniciativa também evidencia a integração entre as políticas de educação e desenvolvimento rural no Estado. A parceria entre a SDR e a Secretaria da Educação, por intermédio da Superintendência da Educação Profissional do Estado, busca garantir que os investimentos cheguem diretamente às instituições responsáveis pela formação dos profissionais que atuarão nas propriedades rurais e no agronegócio gaúcho.

“O investimento da SDR aproxima duas secretarias estratégicas que, no caso das escolas agrícolas, precisam estar em constante diálogo, pois o público do campo atendido pela SDR é o mesmo que está na escola agrícola”, observa Ayrton. O diretor ainda destaca o modelo de repasse por meio dos Círculos de Pais e Mestres, considerado um mecanismo que agiliza a aquisição de equipamentos e amplia a participação da comunidade escolar nas decisões relacionadas à infraestrutura das instituições.

Ao aproximar educação, inovação tecnológica e desenvolvimento rural, o projeto reforça o papel das escolas agrícolas como agentes de transformação social e econômica, preparando uma nova geração de profissionais para liderar a agricultura do futuro sem precisar deixar suas comunidades de origem.(por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

  • Escola Técnica Estadual Cruzeiro do Sul máquina (1)
  • Escola Técnica Estadual Cruzeiro do Sul máquina

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