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Eleições 2026 Já começaram as discussões sobre o comando da Câmara dos Deputados caso Flávio vença o PT

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Flávio ainda não deu sinais a aliados de qual seria a sua estratégia para as eleições no Congresso. (Foto: Vittor Sales/Divulgação)

Dias depois do primeiro turno, os dois deputados federais mais votados do PL do Rio conversaram sobre a sucessão para o comando da Câmara dos Deputados em um eventual governo Flávio Bolsonaro a partir de 2027. Aos risos, Sóstenes Cavalcante avisou a Altineu Côrtes que o colega pode escolher se prefere a vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU) ou a presidência da Casa, hoje sob responsabilidade de Hugo Motta, do Republicanos. O tom da conversa é de brincadeira, mas expõe os desejos hegemônicos do PL em caso de vitória contra o PT no dia 25 de outubro.

Flávio ainda não deu sinais a aliados de qual seria a sua estratégia para as eleições no Congresso. Mesmo com o PL mais focado em organizar a sucessão de Davi Alcolumbre (União Brasil) no Senado, Sóstenes já esfrega as mãos para colocar na rua a sua candidatura à presidência da Câmara. O movimento do representante do pastor Silas Malafaia em Brasília junto a Altineu foi apenas uma deferência gentil ao parlamentar do PL mais ligado ao presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.

Os números pós-apuração explicam a ambição da direita de remover o Centrão do comando da Câmara. O PL chegou a 121 deputados no último domingo. Desde os anos 90, nenhuma legenda havia ultrapassado a marca de 100 parlamentares na Casa. O patamar foi conquistado pelo PMDB e o PFL no governo FHC.

Os resultados também deram maior musculatura política a Sóstenes e Altineu. Ambos ampliaram as suas votações na comparação com a eleição passada, chegando a pouco mais de 170 mil votos no Rio. Altineu ainda emplacou o seu grupo político de São Gonçalo no comando do Palácio Guanabara com a vitória do deputado estadual Douglas Ruas (PL) contra o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD).

Antes da vitória de Ruas, o deputado ligado a Valdemar havia cogitado concorrer à vaga de Augusto Nardes, aposentado do TCU desde junho. Altineu chegou a trabalhar para que a eleição por uma vaga na corte ocorresse no meio do ano, mas Motta jogou a disputa para dezembro. O gesto do presidente da Câmara mirou Arthur Lira (PP), seu antecessor no cargo e que, se tivesse perdido a eleição para o Senado em Alagoas, teria garantido um posto no TCU.

Motta, a propósito, se reelegeu, mas o desempenho nas urnas piorou em quatro anos. O deputado baixou da marca de 158 mil votos, em 2022, para 124 mil esse ano. O presidente da Câmara também falhou na missão de eleger o próprio pai, o ex-prefeito Nabor Wanderley, como senador na Paraíba, o que reduz o seu cacife para 2027.

Quem acompanha a corrida silenciosa entre Altineu e Sóstenes pela presidência da Câmara aponta obstáculos dos dois lados para ser eleito. O deputado ligado a Malafaia tem dificuldade de angariar votos em partidos de centro e esquerda devido à relação de proximidade com o pastor inimigo número um do PT. Já o parlamentar ligado a Valdemar enfrenta uma rejeição recente oposta — a do bolsonarismo ideológico. No primeiro semestre, Altineu incomodou a direita radical da legenda por ter fechado acordo com o deputado petista Odair Cunha para que ele entrasse no TCU.

Há ainda um entrave em comum para Altineu e Sóstenes: a percepção crescente no Centrão de que o PL cresceu em detrimento do bloco pelo Brasil. No último domingo, União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos elegeram 207 deputados, 19 a menos do que os 226 de quatro anos atrás.

Durante a semana, mais um movimento acendeu o alerta do Centrão. Em entrevista para a Globonews, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) demonstrou o desejo de ser o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Nos últimos dois anos, o colegiado, responsável por analisar os projetos de lei que irão para o plenário, esteve nas mãos de parlamentares do União Brasil. (Com informações do jornal O Globo)

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