Domingo, 11 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 11 de outubro de 2026
A partir de 2027, a família Sarney ficará sem nenhum representante em mandato eletivo pela primeira vez em 72 anos. O cenário ocorre depois da derrota de Roseana Sarney (MDB-MA), filha do ex-presidente José Sarney, na disputa pelo Senado Federal.
Roseana foi eleita deputada federal pelo Maranhão em 2022, mas o mandato acaba em janeiro de 2027 e nenhum outro membro da família estará em algum mandato.
Roseana foi a terceira colocada na disputa pelo Senado Federal no Estado. André Fufuca (PP), com 21,43% dos votos, e Lahesio Bonfim (Novo), que conquistou 20,65% dos votos, conseguiram as duas vagas em disputa.
A derrota de Roseana encerra um ciclo político que remonta aos anos 50, quando seu pai assumiu o cargo de deputado federal. Sarney exerceu o cargo por três mandatos, até 1965.
Em 1966, foi eleito governador do Maranhão. Em seguida, foi para o Senado Federal pela primeira vez, onde ficou até 1985. Foi presidente entre 1985 e 1990. Depois, voltou ao Senado mais uma vez, onde ficou até 2015, cumprindo três mandatos consecutivos.
Roseana seguiu a trajetória política do pai e se elegeu como deputada federal, pela primeira vez em 1990, e ficou no cargo até 1994, quando foi eleita governadora do Maranhão.
Ela ficou no cargo por dois mandatos consecutivos, até 2002. Roseana também foi senadora da República, ficando no cargo até 2009 e mais uma vez voltou ao governo do estado, onde ficou até 2014.
Foi eleita novamente para deputada federal em 2022; seu mandato acaba em 2027.
Seu irmão, José Sarney Filho, conhecido como Zequinha Sarney (PV) foi deputado estadual pelo Maranhão entre 1979 e 1983 e deputado federal pelo mesmo estado por nove mandatos, entre 1983 e 2019. Ele também assumiu como ministro do Meio Ambiente nas gestões de Fernando Henrique Cardoso, de 1999 a 2002, e Michel Temer, de 2016 a 2018.
Adriano Sarney, neto de Sarney, é o membro da terceira geração a ocupar cargo político. Ele foi deputado estadual pelo Maranhão, por dois mandatos, entre 2015 e 2023. Ele tentou se reeleger nas eleições de 2022, mas não obteve votos o suficiente.
Para Renato Dolci, cientista político e mestre em economia, a eleição revelou uma manifestação bastante ampla do eleitor numa perspectiva antissistêmica. “A gente viu o voto antissistêmico se expressar com muita clareza também em alguns recados que foram dados nas urnas”, afirmou.
Segundo ele, as famílias tradicionais se inserem nesse bloco, ao lado de outras figuras que também sofreram derrotas. Dolci fez ainda uma distinção conceitual importante: “Antissistema e antipolítica são questões diferentes para esse eleitorado.” Para ele, o eleitor não está rejeitando a política em si, mas sim as figuras consolidadas dentro do sistema.
Bruno Soller, analista e sócio do Real Time Big Data, chamou atenção para o fato de que, em alguns estados, a troca de poder não representou necessariamente o fim das famílias tradicionais. “Você olha para Alagoas, sai o Calheiros, mas entra os Caldas, que também é uma família tradicional. Você vai para Pernambuco, sai os Campos, mas fica a Lira, que também é uma família tradicional”, observou.
A avaliação foi de que, embora o fenômeno das oligarquias tenha diminuído em relação ao passado, ainda há um resquício relevante desse modelo político em operação. (Com informações dos portais Estadão e CNN)
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!