Domingo, 11 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 11 de outubro de 2026
A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno reacendeu entre aliados a expectativa de encontrar uma saída para a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe. Com 121 deputados e 28 senadores eleitos pelo PL, dirigentes refazem as contas para viabilizar uma anistia que alcance o ex-presidente. A adesão de PP, União Brasil, Republicanos, Novo e Podemos abriu novos canais de negociação, e a pauta virou tema em encontros com os partidos.
A mobilização ocorre em paralelo à aproximação com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e à tentativa da defesa de reverter a sentença por meio de uma revisão criminal. Decisões recentes do Judiciário alimentam a percepção de uma possível distensão com o bolsonarismo, embora novas medidas contra integrantes da família contrariem essa leitura.
O objetivo de pessoas próximas ao ex-presidente é permitir que ele deixe a prisão ainda em 2026 e participe de uma eventual posse do filho.
— Vocês verão no dia 6 de janeiro de 2027, na data da posse, Flávio Bolsonaro fazendo uma oração, entregando o Brasil nas mãos de Deus. E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente — disse o presidenciável ontem, em agenda em São Gonçalo (RJ). A posse presidencial será dia 5.
Antes do primeiro turno, a avaliação era que as chances de uma solução para Bolsonaro, diante da resistência no STF e das dificuldades no Congresso, eram remotas. O novo cenário levou dirigentes do PL a refazer as contas para a anistia, que passou a integrar as conversas com partidos incorporados à campanha.
Neste ano, o bolsonarismo conseguiu uma vitória com a sanção da Lei da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Sua aplicação, porém, depende de uma definição do STF, que analisa questionamentos à legalidade da alteração legislativa.
Entre aliados de Bolsonaro, a avaliação é que a medida representa um avanço, mas não é suficiente. Parte do grupo defende uma anistia mais ampla, capaz de eliminar as punições impostas aos envolvidos na trama golpista, em vez de apenas reduzir o tempo de cumprimento das penas.
Desde o início da semana, Flávio intensificou uma rodada de negociações em Brasília. Na segunda-feira, recebeu representantes do Republicanos e do Podemos, além de viajar a Goiânia para obter o apoio de Ronaldo Caiado (PSD). Na terça, reuniu-se com dirigentes da federação União Brasil-PP, que formalizou a adesão à candidatura, e com integrantes do Novo.
Na quarta-feira, o presidenciável participou de um encontro com a bancada do PL, ao lado de Michelle Bolsonaro, para organizar a mobilização no segundo turno. Na quinta, o Podemos oficializou seu apoio. Na próxima terça-feira, será a vez da maior parte dos diretórios do MDB.
Divergências sobre texto
As conversas ampliaram o espaço para discutir uma eventual anistia, mas não produziram compromisso público conjunto em torno de um texto específico. Há divergências sobre o alcance da medida, especialmente em relação aos condenados pela tentativa de golpe. Também há o receio de o STF derrubá-la.
O deputado e senador eleito Domingos Sávio (PL-MG) defende que a Corte reveja as condenações, mas afirma que o Congresso deverá agir caso isso não ocorra. Segundo ele, a anistia deve alcançar os condenados de maneira geral, e não apenas Jair Bolsonaro.
— É o que consideramos justo e desejamos. Tudo isso deve ocorrer dentro da legalidade. Esperamos que isso seja revisto no STF. Não ocorrendo pelo STF, ocorrerá no Congresso. Se o STF não corrigir, vamos corrigir — afirmou.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), também defende acelerar a votação da anistia caso Flávio vença a eleição presidencial. A intenção é aproveitar o impulso político de uma eventual vitória do senador para tentar aprovar a proposta ainda neste ano, antes da posse do novo presidente, em janeiro.
— O Flávio ganhando a eleição, vamos tentar votar a anistia ainda este ano — afirmou Sóstenes.
Paralelamente, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, manteve contatos com seis ministros do STF, entre eles o presidente da Corte, Edson Fachin, Gilmar Mendes e Nunes Marques. A iniciativa busca reconstruir canais de diálogo sem abandonar as críticas à atuação de magistrados. Marinho afirma esperar uma revisão da condenação.
— Justiça será feita em um momento oportuno — disse, ao comentar a possibilidade de libertação do ex-presidente. (Com informações do portal O Globo)
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