Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de outubro de 2026
As críticas fazem parte de um ambiente de insatisfação interna que se intensificou após o resultado das urnas.
Foto: Ricardo Stuckert/PRA primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, passou a ser alvo de críticas mais intensas de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) depois que o petista terminou o primeiro turno da eleição presidencial de 2026 atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Integrantes do partido e da campanha questionam a participação da primeira-dama nas decisões eleitorais e avaliam que a exposição dela durante a disputa pode ter provocado desgastes políticos.
As críticas fazem parte de um ambiente de insatisfação interna que se intensificou após o resultado das urnas. Além da atuação de Janja, aliados passaram a discutir a organização da campanha, a estratégia de comunicação, a presença do presidente nas redes sociais e o papel de integrantes da coordenação na definição das ações para o segundo turno.
Segundo relatos publicados pela imprensa, uma das manifestações mais explícitas de descontentamento ocorreu em uma reunião política na qual a ex-senadora Kátia Abreu defendeu maior participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na campanha. A frase “menos Janja e mais Alckmin” foi aplaudida pelos presentes.
A manifestação reflete uma disputa sobre a imagem que a campanha pretende apresentar ao eleitorado na etapa final da eleição. Enquanto parte dos aliados defende o fortalecimento da participação de Alckmin e de outras lideranças políticas, integrantes do entorno presidencial avaliam que a presença de Janja também pode contribuir para a mobilização de apoiadores e a divulgação de pautas sociais.
Antes de se tornar alvo das críticas mais recentes, a primeira-dama havia ampliado sua participação pública na campanha. Ela passou a discursar em atos políticos, apareceu com maior frequência na propaganda eleitoral e participou de decisões relacionadas à organização de eventos e à agenda do presidente.
A atuação provocou divergências dentro do grupo político de Lula. Entre os episódios mencionados por aliados estão a participação de Janja na organização de um evento com artistas e suas intervenções em atividades públicas. Parte dos integrantes da campanha considera que esse protagonismo deveria ser revisto diante da necessidade de reorganizar a estratégia eleitoral.
As críticas também alcançam a influência atribuída à primeira-dama nos bastidores do governo. Relatos publicados pela imprensa apontam que ela passou a participar mais diretamente de decisões relacionadas à agenda presidencial e à organização de eventos depois da saída de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, do gabinete de Lula.
A assessoria de Janja, em manifestação divulgada anteriormente à intensificação das críticas, afirmou que a primeira-dama participa da campanha desde o início e que suas contribuições são validadas pelo presidente. “Ela não está na coordenação, mas é uma mulher com boas ideias e sempre disposta a somar na construção da reeleição do presidente Lula”, declarou a assessoria.
O resultado do primeiro turno ampliou a pressão sobre a equipe responsável pela campanha. Lula também manifestou insatisfação com a organização do trabalho eleitoral. Em uma reunião com aliados, o presidente afirmou que aquela havia sido a campanha menos organizada de suas disputas presidenciais desde 1989.
“Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais”, declarou Lula. Na mesma ocasião, acrescentou: “E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta”.
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Essa mulher é porta de cadeia. O Brasil nunca teve uma primeira Dama de tão baixo nível.