Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Por Gisele Flores | 13 de outubro de 2026
A área cultivada de canola cresceu 102,64% entre 2025 e 2026, no RS, saindo de 174.394 para 353.397 hectares
Foto: Wenderson Araujo/ CNA/ JC
Expansão da cultura supera 100% em um ano e reforça a integração entre produtores, cerealistas e indústria de biocombustíveis
A canola vive um dos momentos mais expressivos de sua trajetória no Rio Grande do Sul. Impulsionada pela demanda crescente por combustíveis renováveis e pela busca dos produtores por alternativas mais rentáveis para o período de inverno, a oleaginosa mais que dobrou sua área cultivada no Estado e passa a ocupar um papel cada vez mais estratégico na cadeia do biodiesel brasileiro.
O avanço da cultura foi destacado nesta terça-feira (13), durante a Abertura Nacional da Colheita da Canola e Carinata 2026, realizada em Ijuí, no Noroeste gaúcho. Dados da Emater/RS-Ascar apontam que a área destinada à canola alcançou 353.397 hectares nesta safra, crescimento de 102,64% em relação aos 174.394 hectares registrados em 2025.
O resultado reflete o interesse crescente dos agricultores por uma cultura capaz de combinar diversificação produtiva, geração de renda e fornecimento de matéria-prima para a indústria de energias renováveis. Além de servir para a produção de óleo comestível, a canola se destaca pela utilização na fabricação de biodiesel, segmento que busca ampliar a participação de fontes renováveis na matriz energética nacional.
Presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), Jerônimo Goergen afirma que a cultura reúne características cada vez mais valorizadas pelo mercado. “A canola é um dos produtos no Brasil que nos possibilitam alimento e energia, e não alimento ou energia”, destacou.
Segundo Goergen, o crescimento da produção abre espaço para um novo ciclo de desenvolvimento econômico no campo, desde que seja acompanhado pela organização da cadeia produtiva. Para ele, a conexão entre agricultores, cerealistas e indústrias de biocombustíveis será determinante para transformar o aumento da oferta em renda sustentável para os produtores.
“A previsibilidade é fundamental para o agronegócio. É importante consolidar a produção da matéria-prima, mas também já conectar isso às empresas cerealistas ou produtoras de biocombustível. Não vejo outro cenário para termos renda efetiva no campo”, afirmou.
Além de representar uma alternativa ao trigo e a outras culturas tradicionais de inverno, a canola oferece aproveitamento integral da produção. Enquanto o óleo abastece os mercados alimentício e energético, o farelo gerado após o processamento é destinado à alimentação animal, agregando valor à cadeia.
A avaliação do setor é que a expansão da cultura coloca o Rio Grande do Sul em posição de destaque no fornecimento de matérias-primas para o biodiesel e reforça o papel do agronegócio gaúcho na transição para uma economia de baixo carbono, sem abrir mão da produção de alimentos e da geração de renda no campo. (Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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