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Eleições 2026 Esquerda se reestrutura e busca espaço após revés no 1º turno

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Campo político enfrenta a derrota de lideranças nas urnas, em meio ao avanço da direita e da extrema-direita no Congresso.(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A esquerda busca se reestruturar no cenário nacional depois da derrota de lideranças políticas nas urnas no primeiro turno, na disputa por vagas nos governos estaduais, no Senado, Câmara e Assembleias Legislativas. Nomes de peso do campo político como ministros e ex-presidentes nacionais do PT e do Psol não conseguiram se eleger e buscam espaço em meio ao avanço da direita e da extrema-direita no Congresso e à indefinição sobre a eleição presidencial.

Ex-nomes fortes de governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), petistas como Fernando Haddad, José Dirceu, Paulo Pimenta, Randolfe Rodrigues e Patrus Ananias, além dos ex-ministros Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Márcio França (PSB), Renan Filho (MDB) e Paulo Teixeira (PT), perderam a eleição e podem ficar sem cargos em 2027.

Outros ministros, que decidiram não disputar a reeleição na Câmara, têm futuro político indefinido, como Guilherme Boulos (Psol) e Alexandre Padilha (PT).

Ex-presidentes do PT, José Dirceu, Rui Falcão e Gleisi Hoffmann não foram eleitos para o Congresso, nem a ex-governadora do Rio e uma das fundadoras do PT Benedita da Silva, que perdeu a disputa pelo Senado no Rio de Janeiro.

A ex-deputada Manuela d’ Ávila, candidata do Psol ao Senado no Rio Grande do Sul, também perdeu. O Psol não elegeu nem o ex-presidente nacional do partido Juliano Medeiros e não obteve os votos necessários para ultrapassar a cláusula de barreira. Com isso, ficará sem tempo de rádio e televisão na propaganda eleitoral e sem recursos do fundo partidário.

A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é a principal aposta, neste momento, dessas lideranças políticas da centro-esquerda sem cargos a partir de 2027. Candidatos derrotados assumiram a coordenação ou terão papel de destaque na candidatura de Lula nos Estados.

É o caso, por exemplo, do ex-ministro Fernando Haddad, que foi derrotado no primeiro turno na disputa pelo governo de São Paulo e agora, no segundo turno, comandará a campanha de Lula no Estado. A ex-ministra Gleisi Hoffmann, que perdeu a disputa pelo Senado no Paraná, coordenará a campanha presidencial nos municípios paranaenses.

Com um cenário incerto sobre a disputa entre Lula e Flávio, essas lideranças de esquerda poderão ter de buscar espaço em gestões estaduais ou na direção dos partidos, para manter a influência política e se cacifar para as próximas eleições. No caso de reeleição de Lula na Presidência, dificilmente haverá espaço para acomodar todos os aliados derrotados em um cargo de destaque.

O debate sobre quem poderá ocupar a liderança dos partidos de esquerda e centro-esquerda na Câmara e no Senado, além da definição de quem poderá ser o líder do governo no Congresso em um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – ou líder da oposição, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, está interditado neste momento.

Na Câmara, as bancadas de esquerda e centro-esquerda ficaram estáveis, com poucas oscilações. O PT passou de 69 eleitos em 2022 para 70 deputados e a federação dos petistas com o PCdoB e PV aumentou de 81 para 88 parlamentares, segundo dados da Câmara. PSB manteve-se com 15 deputados e Psol passou de 13 para 14.

Ao mesmo tempo em que lideranças históricas da esquerda perderam nas urnas, foram eleitos para a Câmara deputados jovens, com influência nas redes sociais, como Ana Elisa (PT-MG), Luna Zarattini (PT-SP) e Guilherme Cortez (Psol-SP), e reelegeram-se nomes como Erika Hilton (Psol-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP). Esses novos parlamentares, no entanto, enfrentam resistência da cúpula do PT para serem líderes do governo ou da oposição, a depender do resultado da disputa presidencial.

No Senado, o cenário é distinto e foram eleitos nomes já com destaque nacional, como as ex-prefeitas Luizianne Lins (Rede-CE) e Marília Campos (PT-MG), os ex-governadores Rui Costa (PT-BA), Renato Casagrande (PSB) e João Azevedo (PT-PB), e reeleitos os senadores Cid Gomes (PSB-CE), Jaques Wagner (PT-BA) e Humberto Costa (PT-PE). Foram eleitas também a ex-vereadora Marília Arraes (PDT-PE) e Samanda de Lula (PT-RN).

Coordenador do Monitor do Debate Político no Meio Digital e professor de Gestão de Políticas Públicas na USP, Pablo Ortellado diz que a esquerda não conseguiu eleger nomes moderados, como o das ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) para o Senado em São Paulo. “A eleição, desde 2018, tem punido os moderados”, afirmou. “E foram eleitos aqueles com forte presença em redes sociais”, disse.

Ortellado avaliou que apesar do discurso da “renovação”, defendido por partidos, é importante também manter quem já tem experiência, liderança e conhece o funcionamento dos Poderes. “Muita renovação nem sempre é boa”, disse. “Tem uma perda de qualidade com a saída de quem já conhece o jogo político.” (Com informações do Valor Econômico)

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