Sábado, 17 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de outubro de 2026
Apesar de a campanha presidencial seguir nas ruas, numa acirrada disputa por votos na reta final do segundo turno, representantes de diferentes segmentos políticos e econômicos se mobilizam para emplacar indicados em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), tanto no Executivo quanto no Legislativo.
Um dos mais ativos é o agronegócio. O setor tem inúmeros nomes, não apenas para o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária). Há movimentos no agro para tentar emplacar indicados também no Ministério do Meio Ambiente e no MME (Ministério de Minas e Energia), sob o argumento de que ambas as pastas interagem com o agronegócio.
As lideranças políticas do setor tentam montar um xadrez político de olho no Executivo e no Legislativo.
Para o Mapa, a disputa é acirrada. O favorito é o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), mais conhecida como bancada ruralista, que apoiou Flávio.
Também já foram citados o economista e produtor rural Geraldo Melo Filho, hoje secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), que é cogitado dentro das articulações com o MDB.
Na lista ainda estão Reinaldo Azambuja, ex-governador de Mato Grosso do Sul, e Mauro Mendes (União Brasil-MT), ex-prefeito de Cuiabá, ex-governador de Mato Grosso e senador eleito.
Mendes também é cotado para o MME. Engenheiro eletricista por formação, tem trânsito e interlocução com empresas de biocombustíveis.
A dupla indicação também envolve articulações políticas. Sua ida para alguma pasta abriria caminho para empossar no Senado seu primeiro suplente, Cidinho Santos (PP-MT), que é próximo da família Bolsonaro e participou das articulações de apoio a Flávio em Mato Grosso.
Em outra frente, representantes do agronegócio argumentam que é importante ter no Ministério do Meio Ambiente alguém com quem possam dialogar. Um nome novo que surgiu foi o do deputado Zé Vitor (PL-MG), engenheiro agrônomo que participou de discussões legislativas envolvendo licenciamento ambiental, exploração de recursos naturais e transição energética.
Aqui, a sugestão faz parte de outro arranjo mais amplo. Zé Vitor está indicado para substituir Lupion na FPA. Se fosse para um ministério, esse posto poderia receber Azambuja.
Para o Meio Ambiente existe também movimentação para a volta de Joaquim Leite, ex-ministro da pasta no governo Jair Bolsonaro. Ricardo Salles, que também foi ministro na área, é outro nome.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) é vista como porta-voz nata do agronegócio e boa opção como ministra no Mapa. Porém, há quem defenda que seja escalada na composição de forças no Senado para 2027.
O PL elegeu 19 senadores e deverá iniciar a próxima legislatura com uma bancada de 28 integrantes, a maior de um partido na Casa no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988.
Existe a expectativa de que a sigla busque a presidência do Senado, medindo forças com o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que articula a reeleição com o apoio de Lula (PT), caso o petista vença a disputa presidencial.
Vitorioso nas urnas para seu primeiro mandato como senador, Arthur Lira (PP-AL) já indicou ter a intenção de disputar a presidência da Casa. Entre apoiadores de Flávio no agro, há quem defenda uma composição para a transição nessa presidência. Em um dos arranjos, Tereza Cristina poderia ficar na cadeira por um mandato e passaria o bastão para Lira na sequência.
O coordenador político de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), outro que poderia ficar na presidência, já é visto como forte candidato a ministro da Casa Civil em um eventual governo do PL.
Pessoas que acompanham a campanha afirmam que Flávio está focado em ganhar o pleito antes de definir nomes na Esplanada dos Ministérios, mas internamente já existem algumas sinalizações mais concretas.
Para o Ministério de Minas e Energia, ganhou muita força nos bastidores o nome de Adriano Pires, coordenador da área de energia no programa de governo de Flávio. Pires é conhecido pela família e já foi indicado para a presidência da Petrobras, em 2022, pelo então presidente Jair Bolsonaro, mas acabou não assumindo depois de uma sequência de questionamentos.
Pires é fundador do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), consultoria especializada em petróleo, gás e eletricidade que atende várias empresas. Na sequência do anúncio de seu nome para a estatal, o Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) pediu que a indicação fosse condicionada à apuração de possíveis conflitos de interesses.
O Comitê de Pessoas da Petrobras também identificou riscos nessa linha. Uma semana depois da indicação, o próprio Pires desistiu do cargo, afirmando que não conseguiria se desligar de sua consultoria no prazo necessário. (Com informações da Folha de S. Paulo)
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