Sábado, 17 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de outubro de 2026
Após revezes eleitorais no primeiro turno, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), voltaram a alinhar a relação com a votação de projetos importantes esta semana e a avaliação é que, diante do crescimento do PL na Casa, a união em torno da reeleição do parlamentar para o comando do Congresso no ano que vem é praticamente uma “questão de sobrevivência” para os dois grupos.
Com Alcolumbre no comando, o Senado aprovou na quarta-feira (14) a proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1, projeto que é considerado crucial para a campanha a reeleição de Lula. Também aprovou, na quinta-feira (15), o texto com benesses ao Microempreendedor Individual (MEI). A PEC da segurança pública, no entanto, não avançou diante do impasse em relação à redução da maioridade penal.
No PT, já se fala que o apoio à reeleição de Alcolumbre deverá vir independentemente do resultado da eleição presidencial. Petistas dizem que é uma escolha pragmática: admitem que não só não há uma alternativa mais à esquerda para desafiar o atual chefe do Legislativo como apontam que, com a nova configuração do Congresso a partir do ano que vem, não se unir a ele seria dar uma chance de vitória ao PL, que se tornará o maior partido da Casa.
Na nova configuração, o partido do senador Flávio Bolsonaro (PL) ficará com 28 cadeiras, muito acima do que todas as outras legendas – o PT, em segundo lugar, ocupará nove lugares, seguido pelo MDB, com oito. Para o partido de Lula, com a eventual reeleição do presidente, é indispensável que, em uma situação ainda mais adversa e conservadora do que a atual, o governo tenha, no mínimo, uma boa relação com o presidente da Casa.
Com Alcolumbre, dizem, a situação já está precificada. Por mais que tenham passado por rusgas, como a derrota da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e o atraso para a votação da 6×1, petistas apontam que, quando se compromete, o atual presidente cumpre a palavra. Além disso, dizem que a relação é, no geral, proveitosa para o governo, que tem conseguido aprovar as pautas mais relevantes. Já um presidente do PL poderia boicotar as propostas do Executivo, argumentam.
Um cenário ainda pior, dizem, seria em caso de vitória de Flávio na corrida presidencial. Embora Alcolumbre não seja de esquerda nem alinhado ao petismo, ele poderia fazer, na visão do atual governo, uma composição ao centro, que englobasse a oposição e o Centrão, como uma “barreira” contra a extrema direita.
Se Alcolumbre aparece como a única opção viável para o campo lulista, o mesmo vale para o atual comandante do Senado. A eloquente derrota sofrida nas urnas do Amapá deixou Brasília como o último refúgio para o senador. A possibilidade de colocar em votação no Senado projetos que estavam na geladeira só se materializou após o resultado eleitoral.
Não por acaso, sua atuação na quarta foi amplamente elogiada pela bancada petista. Desde antes da votação, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), falava em alto e bom som que confiava na palavra de Alcolumbre e que ele traria o apoio ao fim da escala 6×1 de parte considerável do Centrão, mesmo que o PL decidisse criar resistência, o que acabou não acontecendo.
O presidente do Senado compartilhou com Lula os dividendos políticos da aprovação da PEC. A promulgação do texto, que tem alto apelo popular, acontecerá na sexta-feira (16).
Caso o cenário seja de vitória de Lula na eleição presidencial, a avaliação é que aumentam as chances de Alcolumbre de se manter na cadeira. O crescimento do PL e do bolsonarismo no parlamento e nos Estados deixou o Centrão e a centro-direita contrariados. O PSD, de Gilberto Kassab, perdeu mais da metade das cadeiras: de 13 para cinco senadores. Mesmo opositores a Lula na Casa dizem concordar que manter Alcolumbre na presidência seria como um “freio de arrumação” para evitar a hegemonia bolsonarista. (Com informações do Valor Econômico)
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