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Política Redução da maioridade penal pressiona o PT a rever posição em pauta histórica

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O presidente Lula afirmou que é favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes hediondos. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O debate em torno da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, que veio à tona mais uma vez com a tramitação da PEC da Segurança Pública no Senado Federal, tem pressionado o PT a rever posições históricas adotadas em defesa dos direitos das crianças e adolescentes garantidos pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Mudança de posição

– Discussão sobre emendas apresentadas à PEC da Segurança Pública e pressa para votação expuseram divergências dentro do PT sobre a redução da maioridade penal para adolescentes. No mesmo dia em que oposição e governo ofereceram complementos diferentes ao texto que seria votado pelo plenário do Senado, o presidente Lula afirmou em entrevista à TV Globo que é favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes hediondos. “Meu pensamento, enquanto cidadão, é que sou a favor de reduzir a maioridade penal para todo e qualquer crime hediondo. Sou favorável a reduzir para 16 anos”, disse Lula, em sabatina do JN na quinta-feira (15).

– Durante décadas, Lula defendeu outra posição. Em outros momentos, Lula afirmou que a solução para a participação de jovens em atividades criminais era o investimento em educação, oportunidades e proteção social, e não o aumento de internações. “O problema dos jovens é aumentar o tempo deles na cadeia ou fazer que eles entrem na cadeia mais cedo. Esses crimes não são regras, são exceções. Nós não podemos mais ficar parados com este assunto”, havia dito Lula, em 2007.

– Após ficar atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da disputa presidencial, uma das mudanças adotadas por Lula foi subir o tom em temas relativos à segurança pública. Uma das estratégias de Lula para o segundo turno é mostrar à opinião pública maior preocupação do governo com o combate à criminalidade. Para isso, além de repetir o mote de “para o trabalhador, proteção; para o bandido, prisão” e prometer a construção de mais presídios, Lula quer que a PEC, criada na gestão do ministro Ricardo Lewandowski, seja aprovada pelo Congresso.

Senador pelo PT do RS, Paulo Paim diz que “não há um entendimento no PT, nem na sociedade sobre o tema”. “Historicamente, sempre levantamos a preocupação com esse debate”, disse ao UOL o parlamentar, que foi presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, em 2019. O senador, que apoiou a promulgação do ECA quando era deputado federal, afirmou que adotou uma posição contrária à redução da maioridade penal. “Sempre defendi que a recuperação de crianças e adolescentes não ocorra colocando esses sujeitos na cadeia.”

Paim defende hoje que o tema seja debatido fora do âmbito da PEC da Segurança Pública. “Deveria ter um espaço separado para ser discutido, não nessa PEC, que é mais ampla e trata de aparatos de segurança pública em geral”, afirma. “Sabemos que existem pessoas que são favoráveis à redução da maioridade penal. Se existem opiniões diferentes na sociedade, o tema precisa ser debatido.”

“É saudável haver um debate sobre essa questão, mas também significa que ela não está madura o suficiente para nenhum dos lados e um ‘jabuti’ não pode ser incluído no meio de uma PEC”, diz o senador Paulo Paim (PT-RS).

Mesma posição foi defendida pelo presidente Lula em entrevista à TV Globo. “Sou favorável em reduzir para 16, mas não discutindo nessa PEC. Essa PEC não é para discutir isso. Primeiro, discute e aprova a PEC. E discute a maioridade penal”, disse o petista. “Qual é o problema? A PEC não estava discutindo isso. A direita, do PL, apresentou uma proposta diminuindo para 14 anos. O Camilo (Santana) apresentou para 16”, afirmou.

– Tema divide a base governista no Senado. Nomes tradicionais do PT são contrários a qualquer alteração na lei que preveja a punição de crianças e adolescentes. “A menor parte dos adolescentes do sistema socioeducativo hoje cometeu crimes de maior gravidade, como latrocínio e homicídio. Por isso, é uma visão demagógica e autoritária que a direita defende”, diz Tarso Genro (PT), ex-ministro da Justiça entre 2007 e 2010.

Já o senador Fabiano Contarato (PT-ES) defende o aumento do tempo de internação para adolescentes que cometem atos infracionais. De acordo com o texto, relatado por Flávio, o tempo máximo de internação passa de três para cinco anos — podendo chegar a dez anos se o ato infracional for cometido com violência, grave ameaça ou corresponder a crime hediondo. A proposta também revoga o limite de idade para liberação dos adolescentes — atualmente fixado em 21 anos —, para permitir que o juiz mantenha a medida de acordo com a avaliação individual do caso. A internação provisória deixaria de ter limite de 45 dias e passaria a depender de decisão do juiz.

– Sou contra a redução da maioridade penal, afirma Ariel de Castro Alves, ex-Secretário dos Direitos da Criança e do Adolescente do governo Lula. “Mudanças legislativas deveriam se basear em diagnósticos. O país tem menos de 13 mil adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação. Há dez anos, havia 24 mil. A criminalidade envolvendo adolescentes está diminuindo, não aumentando”, diz ele. “Aproximadamente 30% dos adolescentes em internação são acusados e condenados por tráfico de drogas. Na maioria dos casos, são jovens pobres explorados por traficantes, em situação de exploração do trabalho infantil.”

“Não há consenso”, diz Paim sobre posição sobre a redução da maioridade penal dentro do partido nesse momento. “Não há uma fórmula certa, sou favorável ao debate e à construção do que é melhor”, disse ele. “Temos linhas de pensamento que estão conversando.” Segundo Paim, o presidente expôs um posicionamento que foi respeitado dentro do partido. “Mas não é uma posição que o universo tem que concordar, o debate é legítimo.” As informações são do portal de notícias UOL.

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