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Eleições 2026 Descontente com apoio do MDB a Flavio Bolsonaro, ex-vice-governador gaúcho Antonio Hohlfeldt deixa o partido

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Manifesto menciona ameaça à democracia e à soberania nacionais. (Foto: Vitoria Proença/ Arquivo Multipalco)

Vice-governador do Rio Grande do Sul na gestão estadual de Germano Rigotto (2003-2007), o jornalista, escritor, professor universitário e crítico teatral Antônio Hohlfeldt formalizou sua saída do MDB, partido ao qual era filiado desde 2005. O decisão foi motivada por seu descontentamento com o apoio da legenda no Rio Grande do Sul ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição.

A desfiliação foi anunciada por meio de um manifesto público, no qual ele menciona sua trajetória político-administrativa, iniciada em 1980 com o PT (foi o primeiro vereador do partido no Estado e um dos pioneiros no País, em 1982) e que prosseguiu com a migração para o PSDB em 1993 (sigla pela qual seria eleito quatro vezes parlamentar municipal). Em comum a essas mudanças, divergências internas.

Hohlfeldt – que completará 78 anos em dezembro – considera a adesão de agora ex-correligionários como o prefeito porto-alegrense Sebastião Melo e o próprio Rigotto ao filho de Jair Bolsonaro como um movimento que enfraquece o partido. Além disso, vê em Flávio uma ameaça real à democracia e à soberania nacionais.

“O MDB, neste momento, está repetindo o processo vivido pela Alemanha na década de 1930, que levaria ao nazismo naquele país. Não quero e não posso me calar ou omitir”, escreve em um dos trechos mais conduntes de seu posicionamento. “Continuo apenas, mas com muito orgulho, professor. E seria absolutamente irracional um professor dar um mau exemplo.”

Mensagem

“(…) O MDB cumpriu um papel ímpar e histórico na construção da democracia no Brasil. Mas após a morte de Ulysses Guimarães, começou a se deteriorar, a exemplo de todos os demais partidos políticos brasileiros, infelizmente, pela falta de planejamento e de responsabilidade dos presidentes partidários, que não projetaram suas sucessões.

O processo sofrido, não exclusivamente pelo PMDB, redundou no seu inchaço, recebendo figuras de centro direita em sua composição, o que começou com o ingresso de José Sarney, até então integrante do partido da ditadura, a ARENA. Poder-se-ia justificar este movimento como necessário à consolidação da democracia no país. Mas as coisas foram piorando: o PMDB passou a omitir-se em lançar candidaturas nacionais para agregar-se a outras siglas, ora à direita, ora à esquerda, conforme os ventos eleitorais soprassem a cada momento.

A situação culminou com a adesão do MDB, em nível nacional, como também, ainda antes, em nível estadual, à candidatura do PL, com Flávio Bolsonaro. Aqui, não se trata de aderir a uma candidatura ou apenas a um projeto político-eleitoral. Trata-se de trair a democracia, de trair a cidadania nacional, e com isso não posso compactuar. Alguém comentou que o MDB se tornou uma sigla de segunda linha, auxiliar de outras agremiações.

É pior que isso. A atual direção nacional e diferentes direções regionais rasgaram os documentos fundadores do MDB, viraram as costas para os seus compromissos com a democracia e aliaram-se a um conjunto de forças que se preparam para destruir os pilares básicos de nossa autonomia internacional, enquanto nacionalidade, e as nossas bases de identidade democrática, ao nível interno.

O MDB, neste momento, está repetindo o processo vivido pela Alemanha, na década de 1930, que levaria ao nazismo, naquele país. Não quero e não posso calar ou me omitir. Fui apenas vereador de cinco mandatos e um de vice-governador, mas sou, acima de tudo, um cidadão brasileiro. Não pretendo, num futuro que, infelizmente, pode ser muito imediato, se Flávio Bolsonaro vencer essas eleições, me sentir corresponsável por uma ditadura institucional a se instalar no País. Não dependo de partidos, não dependo de nomeações para cargos públicos, continuo apenas, mas com muito orgulho, um professor. E seria absolutamente irracional, um professor dar um mau exemplo.

Estou deixando o MDB, neste momento: não reconheço, com toda a humildade de um simples militante, nenhum dos atuais dirigentes partidários, quer em nível nacional, quer em nível regional, como donos do partido. Assim, estou cancelando minha filiação, o que está sendo comunicado ao TRE. Espero que o futuro imediato não nos obrigue a uma mobilização de resistência democrática ante eventuais ameaças ditatoriais.

Mas, como alguém que viveu os anos de chumbo pós AI-5, de 1968, estarei à disposição. Compromisso com a democracia não tem idade, e embora, no momento, seja bem mais idoso do que há meio século, não me omitirei a me alinhar com os verdadeiros democratas. Minha saudação aos corajosos companheiros dos diretórios municipais que igualmente se manifestaram contrários a esta malfadada traição da direção partidária, que decidiu sem consultar ninguém. Assim, o MDB, cada vez mais, se apequena, perde sua identidade e seu papel político-institucional no cenário brasileiro. Deixo o MDB para não trair a mim mesmo.

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