Terça-feira, 20 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de outubro de 2026
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nessa segunda-feira (19) em agenda na Amazônia que pretende, caso seja eleito, promover um programa de regularização fundiária e rever as restrições ambientais que, segundo ele, são motivadas por razões ideológicas.
Em um discurso que durou cinco minutos, realizado na cidade de Marabá, sudeste do Pará, Flávio prometeu ampliar a titulação de terras e defendeu que, se ele for eleito, os proprietários tenham liberdade para decidir como explorar suas áreas, afirmando que eles vão poder “fazer o que quiser” com as terras.
“Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves que existem ambientais por causa de razões ideológicas a gente vai acabar”, afirmou.
A proposta do presidenciável foi anunciada no Pará, estado que concentra terras indígenas, unidades de conservação e áreas sob domínio federal, além de registrar conflitos fundiários.
Entre 2019 e 2022, período do governo Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, o Brasil viveu uma escalada da violência no campo. A Comissão Pastoral da Terra registrou 7.981 ocorrências de conflitos agrários e um total de 136 assassinatos relacionados a essas disputas.
A Amazônia se tornou o epicentro dos conflitos agrários no país diante do avanço das fronteiras agrícolas e do garimpo ilegal, que acossaram indígenas e moradores de comunidades tradicionais.
Bolsonaro se elegeu em 2018 com promessa de não demarcar “nem um centímetro sequer” de terras indígenas e de afrouxar regras de licenciamento ambiental.
Nas últimas eleições, a região sudeste do Pará se tornou um reduto bolsonarista. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 54,4% dos votos em Marabá ante 40,2% do presidente Lula (PT).
No discurso na cidade nesta segunda-feira, Flávio mobilizou eleitores a buscar votos entre aqueles que votaram branco ou nulo no primeiro turno e mesmo entre os que apoiaram Lula, afirmando que seu adversário vai governar movido por vingança caso seja reeleito no domingo (25).
“O atual presidente da República tem uma coisa no DNA dele: além da mentira e da corrupção, tem a vingança escrito na sua testa”, disse o senador.
Na sequência, insinuou que o petista se vingaria do povo do Pará após a vitória para o Governo do Pará de Dr. Daniel (Podemos), aliado de Bolsonaro. Ele derrotou a governadora Hana Ghassan (MDB), aliada do presidente Lula e do ex-governador e senador eleito Helder Barbalho (MDB).
Flávio Bolsonaro chegou a Marabá por volta das 10h30 dessa segunda. Desembarcou no aeroporto João Corrêa da Rocha, onde centenas de apoiadores aguardavam sua chegada.
Em seguida, embarcou em um veículo acompanhado do prefeito de Marabá, Toni Cunha (PL) e do governador eleito Dr. Daniel. O candidato seguiu para um trio elétrico estacionado em frente a uma loja Havan e participou de carreata pelas ruas de Marabá.
No ato, Flávio Bolsonaro não fez referências ao debate de domingo (18) que opôs o senador e o presidente Lula na TV Band.
O embate entre os candidatos, primeiro com a presença de Lula e Flávio, foi marcado por provocações, trocas de acusações e perguntas que ficaram sem resposta. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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