Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Saúde Alzheimer pode deixar sinais no cérebro mais de sete anos antes de placas aparecerem em exames

Compartilhe esta notícia:

O Alzheimer pode começar a deixar marcas no cérebro muito antes de os primeiros sinais da doença aparecerem. (Foto: Reprodução)

O Alzheimer pode começar a deixar marcas no cérebro muito antes de os primeiros sinais da doença aparecerem. É o que sugere um estudo publicado na revista Nature Neuroscience, que identificou alterações cerebrais mais de sete anos antes de níveis elevados de placas da proteína beta-amiloide serem detectadas em exames de imagem.

O resultado da pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Oslo, na Noruega, sugere que alterações relacionadas ao desenvolvimento da doença podem surgir antes de alguns marcadores atualmente utilizados para identificar suas fases iniciais.

Liderados por James Michael Roe, os pesquisadores do Departamento de Psicologia da universidade utilizaram exames de ressonância magnética de indivíduos saudáveis realizados ao longo de quase 20 anos para observar mudanças na espessura do córtex cerebral e, posteriormente, compararam esses dados com exames PET (tomografia por emissão de pósitrons) capazes de identificar o acúmulo de placas beta-amiloide.

Dado o cruzamento dos exames, os estudiosos descobriram que as alterações na estrutura do cérebro foram observadas ao menos sete anos antes de um alto nível de amiloide, que é um dos principais sinais biológicos associados ao Alzheimer.

No entanto, a pesquisa não afirma que as alterações encontradas sejam, por si só, um diagnóstico precoce da doença. Os cientistas apenas demonstraram que existe uma associação temporal entre as mudanças na estrutura cerebral e o aparecimento posterior de níveis elevados de placas beta-amiloide detectáveis pelo exame PET.

Para o neurologista Arthur Jatobá, o resultado da pesquisa indica que alterações relacionadas ao Alzheimer podem ser identificadas em uma fase muito anterior aos sintomas mais conhecidos da doença.

“Isso significa que estamos diante de um achado bastante precoce. Essas alterações no cérebro podem aparecer anos antes de o paciente apresentar uma perda de memória perceptível. Ou seja, quando os primeiros sintomas começam a surgir, o processo da doença provavelmente já vem acontecendo há algum tempo”, explica.

A presença da proteína beta-amiloide, contudo, não é sinônimo de doença. Segundo a psiquiatra Tânia Alves, a substância faz parte do funcionamento normal do sistema nervoso e pode ser encontrada no líquido cefalorraquidiano, fluido que protege o cérebro e a medula, de pessoas saudáveis.

“As pessoas às vezes imaginam que beta-amiloide quer dizer patologia, mas não necessariamente.

Segundo a especialista, o problema aparece quando há alterações no processamento da proteína, favorecendo seu acúmulo e a formação das placas observadas nos exames.”

“Quando a gente tem uma alteração dessa clivagem, ela começa a fazer formas que se juntam e se agregam, e aí ocorre, por exemplo, o que a gente chama de oligômero”, afirma.

As mudanças observadas no estudo também precisam ser diferenciadas das alterações naturais provocadas pelo envelhecimento. Com o avanço da idade, é esperado que ocorram algumas modificações na estrutura cerebral e pequenas dificuldades de memória, sem que isso represente necessariamente um processo neurodegenerativo.

“É normal, por exemplo, às vezes esquecer coisas que não são importantes”, diz Tânia.

Segundo ela, também pode acontecer de uma pessoa esquecer uma palavra ou um compromisso e conseguir recuperar a informação quando recebe alguma pista.

Para a psiquiatra, um dos sinais que merecem atenção é quando o esquecimento começa a atingir informações importantes e a pessoa não consegue recuperar a lembrança mesmo quando recebe estímulos ou pistas.

“No caso de Alzheimer, a pessoa não tem a gravação propriamente dita, então ela não consegue melhorar com a pista”, afirma.

A descoberta ocorre em um momento de avanço na busca por métodos capazes de identificar o Alzheimer antes do aparecimento dos sintomas. Exames de sangue e técnicas de ressonância magnética estão evoluindo e podem, no futuro, ampliar a capacidade de detectar alterações relacionadas à doença em fases cada vez mais precoces.

Ainda assim, o período de sete anos identificado no estudo não deve ser interpretado como uma janela de diagnóstico antecipado.

“Não devemos interpretar os sete anos como se já fosse possível diagnosticar uma pessoa com Alzheimer sete anos antes dos sintomas. É apenas mais um dado que ajuda a entender a evolução da doença e, no futuro, pode contribuir para que o tratamento seja iniciado em uma fase mais precoce”, afirma Jatobá. As informações são do jornal O Globo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Ministro do Supremo Gilmar Mendes critica atropelo da Justiça sobre criação de cursos de medicina e pede novo julgamento
Renegociação de dívidas de produtores rurais deverá pressionar presidente eleito
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x