Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de outubro de 2026
Na direita, Tarcísio tem a vantagem de comandar São Paulo, o estado mais populoso e uma das principais economias do país.
Foto: Caiuá Maia/Campanha Tarcísioreeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma nova etapa de articulação política para a sucessão presidencial de 2030. Após a terceira disputa consecutiva marcada pela polarização entre petistas e bolsonaristas, lideranças dos dois campos começam a avaliar os nomes que poderão disputar o Palácio do Planalto daqui a quatro anos. Na direita, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desponta como uma das principais alternativas. No PT, além do ex-ministro Fernando Haddad, governadores e lideranças do Nordeste tentam ampliar sua projeção nacional.
Lula continuará exercendo influência sobre a escolha de seu possível sucessor. A vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno de domingo (25), garantiu ao presidente mais quatro anos no cargo e adiou a disputa interna pela liderança do campo governista. A renovação, porém, tende a ganhar importância ao longo do mandato, diante da necessidade de o PT construir uma alternativa eleitoral para o período posterior a Lula.
Haddad aparece entre os nomes mais citados para representar o partido. Ex-ministro da Fazenda, ele tem experiência administrativa e proximidade com o presidente. Uma eventual passagem pela Casa Civil, possibilidade mencionada nas análises sobre a reorganização do governo, poderia ampliar sua participação nas decisões políticas e fortalecer sua relação com partidos aliados. O ex-ministro, entretanto, acumula derrotas eleitorais: perdeu as disputas pela Prefeitura de São Paulo em 2016, pela Presidência em 2018 e pelo governo paulista em 2022 e 2026.
Outra frente de articulação reúne lideranças petistas com origem política no Nordeste. Entre elas estão o senador Camilo Santana (CE), o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (BA) e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles. O desempenho eleitoral do partido na região reforça o peso desses quadros na discussão sobre a sucessão. Para se tornarem competitivos em uma disputa presidencial, porém, eles precisarão ampliar a visibilidade para além de suas bases regionais e construir alianças em outros estados.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também é lembrado como possível candidato. Uma eventual candidatura dependeria, entre outros fatores, da disposição do PT em apoiar um nome de outra legenda. O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, ex-governador do Maranhão, aparece igualmente nas especulações sobre possíveis nomes da esquerda, embora não haja definição sobre uma eventual volta à política eleitoral.
Na direita, Tarcísio tem a vantagem de comandar São Paulo, o estado mais populoso e uma das principais economias do país. Reeleito governador, ele terá visibilidade política e administrativa durante o próximo ciclo. Na campanha presidencial de 2026, apoiou Flávio Bolsonaro, mesmo depois de ter sido preterido pela família Bolsonaro na escolha do candidato ao Planalto.
Esse alinhamento pode favorecer Tarcísio em uma futura negociação com o grupo bolsonarista. Flávio, apesar da derrota, também poderá tentar novamente a Presidência em 2030. Sem um mandato eletivo ao fim do atual período, contudo, terá o desafio de manter presença política nacional e mobilizar seus apoiadores.
A possibilidade de uma candidatura de centro permanece em aberto. A governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), é citada entre os nomes que poderiam buscar espaço fora da polarização. O cenário, entretanto, ainda depende dos resultados do próximo governo, da reorganização dos partidos e das alianças que serão construídas nos próximos anos.
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