Terça-feira, 27 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de outubro de 2026
Uma parcela expressiva das lideranças do PL e dos apoiadores de Flávio Bolsonaro tem se mobilizado para convencer o senador a reconhecer, o mais rápido possível, a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A postura adotada por Flávio após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a vitória do petista, com questionamentos sobre o resultado das urnas, foi considerada um erro por integrantes do partido. Para essas lideranças, o candidato deveria ter adotado um discurso mais moderado diante da derrota eleitoral.
Um dos principais dirigentes do PL que acompanhou a apuração no quartel-general da campanha afirmou que a expectativa era de que o senador demonstrasse maior cautela em sua primeira manifestação pública após a confirmação do resultado. A avaliação entre aliados era de que o momento exigia uma postura que evitasse o agravamento das tensões políticas.
Flávio chegou a ser aconselhado a reconhecer a derrota e defender a investigação dos episódios relacionados à ampliação do horário de votação. O senador, porém, optou por uma posição mais contundente e afirmou que pretende pedir a anulação das eleições, contrariando a orientação de parte das lideranças partidárias.
Aliados próximos de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, afirmam que ele não pretende repetir os erros cometidos após a eleição de 2022 e que não deve aderir a uma iniciativa para contestar o resultado das urnas.
Naquele ano, Valdemar atendeu a pedidos de Jair Bolsonaro e o partido apresentou ao TSE uma ação para tentar anular parte dos votos do segundo turno. A iniciativa teve consequências políticas e jurídicas para a legenda e seu presidente, incluindo uma multa superior a R$ 20 milhões aplicada ao PL e a abertura de um inquérito contra Valdemar por suspeita de tentativa de golpe.
Desde a manhã dessa segunda-feira (26), dirigentes do partido têm articulado esforços para convencer Flávio a rever a posição adotada após a derrota. A intenção é evitar que o discurso de contestação amplie o desgaste da legenda e crie novos problemas para sua direção nacional.
Para essas lideranças, a diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio torna ainda mais difícil sustentar uma iniciativa de contestação do resultado eleitoral. Na avaliação de integrantes do PL, a expressiva vantagem do presidente reeleito enfraquece os argumentos para questionar a legitimidade da vitória e reforça a necessidade de reconhecer o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral. (Com informações da colunista Bela Megale, do jornal O Globo)
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