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Política Polícia Federal monitorou jato que levou Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos durante toda terça-feira

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Gulfstream G400 de prefixo LV-JQW ficou parado na pista do aeroporto de Puerto Iguazú (Argentina). (Foto: Reprodução)

O jato Gulfstream G400 de prefixo LV-JQW, que levou o senador e candidato derrotado à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Equador e de lá para os Estados Unidos, ficou o dia todo parado na pista do aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, e foi monitorado durante todo o período pela Polícia Federal (PF), que já tinha a informação sobre a rota de Flávio para o país de Javier Milei pela fronteira via Foz do Iguaçu (PR).

O primeiro destino de Flávio, segundo o serviço de imigração argentina, era Guayaquil, no Equador, e de lá para os Estados Unidos, onde o irmão e deputado cassado Eduardo Bolsonaro vive em autoexílio desde 2025.

Na foto obtida pela equipe da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, o Gulfstream aparece estacionado no Aeroporto Internacional Cataratas del Iguazú ainda durante a tarde de terça-feira (27), depois de ter cancelado um plano de voo direto para os Estados Unidos que, segundo informações dos investigadores, era para levar Flávio Bolsonaro. No entanto, como a PF não tem jurisdição para atuar no país vizinho, não houve como impedir a decolagem do agora ex-candidato.

Durante o monitoramento, a PF identificou que a aeronave permaneceu em alguns momentos do dia com a porta aberta e a escada de embarque estendida. O senador e sua família, contudo, só entraram no jato durante a noite, quando a imprensa argentina identificou uma van de placa brasileira entrando no aeroporto. Apesar disso, não há confirmação se o parlamentar estava de fato no veículo.

Flávio Bolsonaro foi intimado pela PF na última segunda (26) a entregar seus passaportes até a manhã de terça, mas a ordem determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes não foi cumprida pelo senador.

Moraes apontou “risco concreto” de fuga, baseando-se no pedido da PF apresentado às 21h16m do domingo, minutos após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro do STF também apontou a “existência de estruturas já estabelecidas no exterior, aptas a viabilizar permanência prolongada” e a manifestação pública de Eduardo Bolsonaro num podcast. “Se meu irmão não ganhar (a eleição), sou a favor que ele deixe o país”, disse Eduardo na semana passada.

Segundo a equipe da coluna apurou junto a fontes da Polícia Federal, funcionários do governo argentino, comandado pelo ultradireitista Javier Milei, não colaboraram com a apuração com medo de retaliação. Aliado da família Bolsonaro, ele fez campanha para Flávio e é um duro crítico do presidente Lula.

Milei até o momento não reconheceu a derrota do candidato do PL nas urnas, contrariando a posição de outros chefes de Estado de direita da América Latina e dirigentes da Europa, Ásia e África.

Na mira da PF em um inquérito que apura a participação dele e do advogado Willer Tomaz em um esquema de lavagem de dinheiro, Flávio havia sinalizado a interlocutores que entregaria o passaporte à sua equipe jurídica na manhã desta terça-feira para cumprir a decisão de Alexandre de Moraes, o que não ocorreu.

Já na manhã de terça, o portal argentino Infobae divulgou que Flávio teria atravessado a fronteira do país em Puerto Iguazú, de onde partiria para os Estados Unidos. Segundo o jornal Clarín, a aeronave LV-JQW sairia às 2h30m para Miami, mas o voo foi cancelado porque a empresa responsável pelo voo, a Baires Fly, não informou a lista de passageiros que estariam a bordo. Só na madrugada dessa quarta (28), o serviço de imigração argentino confirmou que Flávio atravessou a ponte Tancredo Neves via Foz do Iguaçu. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)

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