Segunda-feira, 02 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de novembro de 2026
Esse é o maior número de mortes desses profissionais registrado pela Unesco desde o biênio 2014/2015
Foto: GAI MediaLevantamento divulgado nesta segunda-feira (2) pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) mostra que 189 jornalistas foram assassinados no mundo em 2024 e 2025.
Esse é o maior número de mortes desses profissionais registrado pela Unesco desde o biênio 2014/2015, ou seja, dez anos antes, quando foram observadas 215 ocorrências.

De acordo com o Relatório Sobre a Segurança de Jornalistas e o Perigo da Impunidade, a maior parte das mortes (127) ocorreu em países que são zonas de conflito, ou seja, 67% do total. Houve um aumento de 24% em relação ao biênio 2022/2023.
Cinquenta dessas mortes foram por drones. Ataques a escritórios de veículos de imprensa ou instalações que abrigavam jornalistas também foram registrados nessas áreas de conflito. Pelo menos 36 profissionais morreram nessa situação. Em um dos casos, nove foram mortos de uma só vez.
O levantamento mostra ainda que, em pelo menos 15 casos, há indícios de que os jornalistas tenham sido alvejados mesmo usando coletes com a identificação de “imprensa” ou estando em carros claramente identificados como sendo de jornalistas.
O número de profissionais de imprensa que foram mortos em países fora de zonas de conflito no biênio 2024/2025 (62 casos) é o menor em 18 anos. Desses 62, 17 foram assassinados em seus escritórios; 33, em seus veículos; e 20, na própria casa, em alguns casos junto com membros de suas famílias. Quatro morreram em ataques terroristas e sete foram mortos em situações de manifestações, seja por manifestantes seja por forças policiais.
Em relação ao contexto das mortes, o levantamento mostrou que 104 delas ocorreram enquanto jornalistas cobriam conflitos armados. Mas houve também 38 mortes daqueles reportavam sobre política, 22 dos que trabalhavam em histórias sobre atividades criminais e outras daqueles que noticiavam sobre corrupção.
“Isso mostra que fazer reportagens sobre alguns assuntos pode ser tão perigoso quanto reportar em uma zona de guerra”, afirmou a diretora de Liberdade de Expressão e Desenvolvimento da Mídia e Alfabetização Midiática e Informacional da Unesco, Sylvie Couldray.
A Palestina, que desde 2023 vem sofrendo ataques de forças israelenses, foi o local onde houve mais mortes de jornalistas (62), ou seja, um terço do total registrado no biênio.
No Brasil, foi registrada apenas uma morte, a de Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, de 46 anos, assassinado a tiros no estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no Nordeste do Pará, em maio de 2025. As investigações da Polícia Civil revelaram que o crime foi motivado pela rivalidade comercial na produção de eventos.
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