Terça-feira, 03 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de novembro de 2026
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), pretende colocar em votação ainda neste ano a proposta de adoção do sistema distrital misto para as eleições proporcionais de deputados federais, estaduais e vereadores. A iniciativa prevê mudanças no modelo de escolha dos representantes do Legislativo e altera a forma como os votos são distribuídos entre candidatos e partidos. Caso seja aprovada, a proposta deverá entrar em vigor em 2034, com uma transição prevista para 2030, conforme informações da Câmara dos Deputados.
Atualmente, o sistema proporcional permite que candidatos com votações expressivas contribuam para a eleição de outros integrantes da mesma legenda. Dessa forma, um candidato que recebe grande quantidade de votos pode ajudar o partido a conquistar cadeiras adicionais, beneficiando concorrentes que tiveram uma votação individual menor.
No modelo distrital misto, o eleitor passa a ter dois votos. O primeiro é destinado a um candidato que disputa uma vaga em determinado distrito eleitoral. O segundo é direcionado a um partido político, que utiliza a votação recebida para definir a ocupação de parte das cadeiras disponíveis no Legislativo. Assim, o sistema combina a eleição de representantes diretamente pelos distritos com a distribuição proporcional de vagas entre as siglas.
Nas eleições de 2022, 33 dos 513 deputados federais eleitos tiveram votação suficiente para contribuir com a conquista de outras cadeiras para seus partidos. Entre os exemplos estão Nikolas Ferreira (PL), que recebeu aproximadamente 3,1 milhões de votos; Lucas Pavanato (PL), com cerca de 3 milhões; e Erika Hilton (PSOL), que alcançou 1,5 milhão de votos. As votações expressivas dos candidatos ajudaram suas respectivas legendas a conquistar vagas adicionais.
Em entrevista coletiva realizada na semana passada, Motta afirmou que as articulações sobre a proposta foram concluídas com os partidos de centro. A próxima etapa, segundo o presidente da Câmara, será ampliar as conversas com as demais siglas que possuem representação na Casa. Entre os grupos que deverão participar das discussões estão os partidos da federação formada por PT, PV e PCdoB, além de PL e Novo.
Na ocasião, Motta demonstrou disposição para retomar a discussão e buscar espaço para aprovar a mudança ainda em 2026. O deputado afirmou estar satisfeito com a possibilidade de reabrir o debate e destacou que a iniciativa atende a uma demanda apresentada por líderes partidários. Segundo ele, o momento é adequado para enfrentar o tema e avançar nas negociações.
O presidente da Câmara também pretende se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), para discutir as alterações no sistema eleitoral. Motta ressaltou que a proposta em análise se restringe às eleições para cargos do Poder Legislativo, sem modificar as regras de escolha dos representantes eleitos pelo sistema majoritário.
Apesar das articulações, a proposta enfrenta resistência. Deputados do PT e do PL já manifestaram posição contrária ao modelo distrital misto. Mesmo diante das divergências, Motta e seus aliados buscam ampliar o apoio à iniciativa, inclusive entre parlamentares que já defenderam a mudança anteriormente e que poderiam ser beneficiados pelo novo sistema. (Com informações do jornal O Globo)
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