Quarta-feira, 04 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de novembro de 2026
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia como equivocada e excessivamente conservadora a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. “A prolongação do aperto monetário mantém o crédito caro, prejudica empresas e famílias e trava, ainda mais, a economia”, diz a entidade.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que o Copom retome o ciclo de corte dos juros já na próxima reunião, prevista para dezembro. “A Selic permanece muito alta e isso afeta crédito, investimentos e a atividade econômica. É verdade que as expectativas para a inflação pioraram, mas o IPCA segue dentro do intervalo da meta no chamado horizonte relevante da política monetária. É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade dos preços”, aponta. Confira abaixo o posicionamento da CNI.
Políticas monetária e fiscal continuam desalinhadas: “A reação negativa dos mercados pós-eleição, caracterizada por desvalorização cambial, elevação dos juros longos e queda na bolsa, reflete o aumento dos prêmios de risco fiscal”. Segundo a CNI, três elementos merecem atenção:
– A meta de resultado primário só será cumprida devido às deduções legais;
– A dívida pública não para de crescer e boa parte dela está indexada à própria Selic, que contribui para retroalimentar o endividamento;
– O mercado percebe o risco fiscal como a principal ameaça à estabilidade financeiro-monetária.
“O quadro revela que as políticas fiscal e monetária continuam desalinhadas. A falta de sinalização de equilíbrio das contas públicas gera desconfiança entre os credores da dívida, que passam a exigir maior retorno, além de pressionar o câmbio e contaminar as expectativas de inflação”, diz a CNI.
“Todavia, os efeitos desse descompasso não devem ser corrigidos com juros mais altos por mais tempo: um choque de origem fiscal pede resposta no campo fiscal. Manter a Selic em patamar restritivo resulta na transferência do custo do ajuste para as famílias e as empresas, já pressionadas pelo endividamento elevado e pelo crédito caro. Por isso, um compromisso crível com o equilíbrio das contas públicas, capaz de reduzir o prêmio de risco e ancorar as expectativas, é condição para que os juros possam cair de forma mais rápida e sustentável.”
– Expectativas de inflação pioraram, mas não justificam interrupção do ciclo de cortes da Selic: “As expectativas de inflação pioraram nas últimas semanas, em boa medida por causa da desvalorização do real e da alta dos juros que se seguiram ao segundo turno da eleição presidencial. O quadro é distinto, porém, no horizonte relevante da política monetária, que hoje corresponde ao segundo trimestre de 2028. Para esse recorte, a mediana das projeções do Focus é de 4%, dentro do intervalo de tolerância da meta para o IPCA. A inflação esperada não está no centro da meta, de 3%, mas permanece no intervalo, mesmo após a piora recente. Com a Selic em 13,75%, o juro real permanece em torno de 8,4%, bem acima da taxa neutra de 5%, patamar que equilibra o controle inflacionário e o crescimento da economia. É importante lembrar que a política monetária segue contracionista há 58 meses.”
Juros altos pesam sobre a economia: “A política monetária restritiva tem pesado sobre a economia real. A manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados por um período prolongado vem endurecendo as condições de crédito, encarecendo o capital de giro e desestimulando decisões de investimento e consumo. Como resultado direto desse ambiente financeiro adverso, os indicadores de atividade passaram a registrar sinais de retração nos principais setores. Na Sondagem Industrial da CNI de setembro, os estoques indesejados atingiram o maior nível desde outubro de 2023 e a margem de lucro teve a pior avaliação desde a pandemia. A perda de fôlego, porém, não se restringe à indústria. Em agosto, as vendas do varejo estavam cerca de 1% abaixo do nível de janeiro, com perda de força concentrada nos segmentos mais sensíveis ao crédito, enquanto o volume de serviços permanece praticamente parado desde o fim de 2025.”
Política monetária sufoca empresas e consumidores: “A restrição monetária também afeta diretamente a saúde financeira dos agentes. O comprometimento de renda das famílias atingiu 29% em agosto, o maior nível em 21 anos, e o endividamento alcançou o recorde de 50,1% da renda acumulada em 12 meses. Na indústria, a pressão chega ao caixa das empresas. Em consulta da CNI aos empresários do setor realizada em outubro, 51,9% esperam maior necessidade de financiamento para pagar fornecedores nos próximos três meses e 56,9% projetam redução do lucro”, conclui a entidade. As informações são da CNI.
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