Terça-feira, 06 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de maio de 2016
A advogada Eloisa Samy Santiago que representa a menor de 16 anos, vítima de um estupro coletivo na Zona Oeste do Rio, disse que o delegado Alessandro Thiers, titular da DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática), não irá mais investigar o caso de estupro.
“[A investigação] Continua com as duas delegacias, mas agora a DCAV [Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima] apurando o estupro”, afirmou a advogada.
Ou seja, agora, segundo Eloisa, houve um desmembramento do inquérito. Assim, a DRCI vai ficar encarregada apenas de investigar o vazamento das imagens do estupro coletivo nas redes sociais.
Enquanto que o caso do estupro será apurado pela DCAV. A decisão foi tomada, de acordo com a advogada, pelo juiz do plantão judiciário, na madrugada deste domingo (29). Eloísa comemorou a decisão em uma rede social: “Vitória das mulheres!!!!”, escreveu a advogada na publicação.

Eloísa comemorou a decisão em rede social. (Foto: Reprodução/Internet)
O pedido para troca de delegado foi feito por Eloisa nesse sábado (28), sob a alegação de que Thiers estaria criminalizando a vítima. Segundo a advogada, a delegado teria perguntado à menina se ela “tinha por hábito fazer sexo em grupo”.
MP dá parecer favorável a três de quatro pedidos feitos pela advogada
O MP (Ministério Público) endossou o pedido feito pela advogada da menor de 16 anos para que o delegado Alessandro Thiers seja investigado pelo delito previsto no artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que é “submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento”.
Segundo o MP, a advogada alega que a vítima sofreu constrangimento durante o depoimento. O órgão endossou ainda outros dois pedidos: que a investigação sobre o estupro ficasse com a DCAV e a divulgação das imagens com a DRCI. Por último, o MP deu parecer favorável ao pedido para que os suspeitos do crime fiquem distantes da vítima.
O afastamento do delegado do caso não foi endossado pelo MP porque, segundo o órgão, não seria sua atribuição.
Na manhã deste domingo, a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que ainda não havia sido notificada sobre a decisão.
Criminalistas criticaram tratamento dado à vítima
Inoportuna, abominável e machista. Foi assim que a pergunta feita pelo delegado Alessandro Thiers à adolescente vítima de estupro coletivo foi tratada por advogados criminalistas. Segundo a advogada da vítima Eloisa Samy Santiago, o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática questionou se a jovem, de 16 anos, tinha por hábito fazer sexo em grupo. Para os criminalistas, essa postura tende a transferir a culpa para a vítima. (AG)
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