Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de maio de 2016
Um protesto contra o estupro terminou com a pichação do STF (Supremo Tribunal Federal) e um varal de calcinha pendurado no prédio. O momento mais tenso foi quando os manifestantes – que no auge do ato somavam 1,5 mil pessoas nas estimativas da PM – derrubaram as grades que cercam o STF e
depositaram flores na estátua da Justiça.
Um policial militar usou gás de pimenta para tentar contê-los, mas sem sucesso. Depois que muitas flores e cartazes já tinha sido colocados, dez seguranças do próprio STF cercaram a estátua. A PM mandou reforços para proteger o tribunal.
O grupo estava concentrado no Museu da República, no começo da Esplanada dos Ministérios, e, por volta das 11h, saiu em direção ao STF, na Praça dos Três Poderes, a menos de 2 quilômetros de
distância. Ao chegarem às grades que protegem o tribunal, por volta das 11h30min, os manifestantes inicialmente jogaram flores em direção à estátua. Depois conseguiram superar a barreira e depositar flores e cartazes. Apesar das pichações no tribunal, em nenhum momento tentaram invadir o prédio.
O varal de calcinhas foi colocado na lateral do piso do tribunal, que é acessado por meio de uma rampa e se encontra um pouco acima do nível da Praça dos Três Poderes. Várias pessoas também sujaram as
mãos de tinha vermelha e depois fizeram marcas com elas em uma das colunas externas do STF.
Havia muitos cartazes. Um deles dizia: “Não ensinem as meninas a terem medo. Ensinem os meninos sobre o respeito.” Outro fazia referência ao estupro coletivo de uma adolescente no Rio, que teve
imagens compartilhadas pelas redes sociais e chamou a atenção de todo o País para o assunto. “Imagine você: sendo violentado por 30; compartilhado por 300; julgado por 3.000.000”, dizia o cartaz, que
foi colocado junto à estátua da Justiça.
O protesto teve também cunho político. Entre as pichações feitas no STF, estavam “É golpe”, “Volta, querida”, “Contra o estupro da democracia”, “Fora Temer machista” e “Fora Gilmar”. São referências ao processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, ao presidente interino Michel Temer e ao ministro do STF Gilmar Mendes, crítico do PT. (AG)
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