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Economia Dólar vai ao patamar de 3,23 reais e renova mínima em quase um ano

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A moeda norte-americana terminou o dia em queda de 2,087% frente ao real. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

O dólar fechou novamente em queda forte nesta quarta-feira (29), a R$ 3,23, renovando mínimas em quase um ano. Os investidores acompanharam o bom humor nos mercados externos, em mais um dia marcado por ausência de interferência do Banco Central no câmbio.

A moeda norte-americana terminou o dia em queda de 2,087% frente ao real, cotada a R$ 3,23 na venda – menor cotação de fechamento desde 22 de julho de 2015 (R$ 3,2257).

Na mínima do dia, o dólar chegou a R$ 3,2285, segundo a agência Reuters.

A divisa já havia recuado 2,61% na véspera diante da recuperação dos mercados globais, acumulando queda de 4,64% em duas sessões.

No mês de junho, o dólar acumula queda de 10,39%. No ano de 2016, a moeda tem desvalorização de 18%.

O dia foi marcado por queda do dólar em relação a várias moedas de países emergentes, mas no Brasil o recuo foi mais intenso por fatores internos, como explica Rafael Gonçalves, analista do departamento econômico da Gradual Investimentos.

“Hoje em especial o dólar cai forte contra o real, e o primeiro motivo é a sinalização do Ilan Goldfajn ontem de que o BC não está disposto a usar as ferramentas cambiais que a diretoria antiga vinha usando”, disse em entrevista, referindo-se à ausência de interferência do BC no câmbio nos últimos dias.

“Além disso, o mercado agora vai tentar descobrir qual o câmbio que o BC vislumbra como ideal. Então tem uma questão de teste para saber se o BC mostra alguma sinalização de que o câmbio está num patamar ajustado”, diz Gonçalves. O BC não faz leilão de swap reverso, que equivale a compra futura de dólares, desde 18 de maio.

Este era o instrumento que o BC, quando era comandado por Alexandre Tombini, estava usando para segurar maiores quedas do dólar. Na véspera, Ilan repetiu que a autoridade monetária pode reduzir sua exposição cambial quando e se for possível e que poderá usar todas as ferramentas com parcimônia no câmbio.

Juros altos
Outro motivo apontado pelo analista é a expectativa de que os juros no Brasil devem demorar mais que o esperado para voltar a cair. Com juros mais altos, o país se torna mais atraente para investidores, o que motiva uma entrada de dólares no Brasil. Com mais dólares em circulação, o valor da moeda norte-americana tende a cair em relação ao real. “O mercado imaginava que os juros iriam cair por volta de agosto. Depois do discurso do Ilan ontem, a projeção passou para outubro ou novembro”, afirma Gonçalves.

Cenário externo
Além da repercussão após as declarações de Ilan Goldfajn, o professor de finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA) Alexandre Cabral também aponta o cenário externo como fator que contribui para a queda do dólar nesta quarta.

“O Reino Unido tem até dois anos para sair da União Europeia, mas o mercado está interpretando que o país vai tentar acelerar relações bilaterais com os países antes de fazer o pedido formal de saída. Então, a saída pode demorar mais que o esperado”, pontuou em entrevista.

“Paralelo a isso, o Fed (BC dos Estados Unidos) tem dado a entender que a notícia sobre o Reino Unido é ruim para a economia global e vai impactar a economia norte-americana. Então, a interpretação do mercado é de que os juros nos EUA não devem mudar tão cedo”, completou. A preocupação do mercado sobre os juros nos Estados Unidos é de que um aumento da taxa atrairia investidores para aquele país, motivando uma saída de dólares de outros países, como o Brasil.

Além disso, investidores recebem bem a perspectiva de que bancos centrais de vários países podem reagir a eventuais turbulências financeiras com mais estímulos, destaca a Reuters.

Expectativas sobre o rumo do dólar
Segundo a agência Reuters, a queda intensa da moeda norte-americana pegou de surpresa muitos operadores e levou alguns analistas a reverem suas projeções, embora poucos acreditem que o dólar deva recuar muito além dos R$ 3,20.

A equipe de estratégia do BNP Paribas passou a estimar o dólar a R$ 3,20 no terceiro trimestre e R$ 3,25 no quarto trimestre, ganhando força para fechar o ano que vem a R$ 3,60. Até então, as projeções eram de R$ 3,75, R$ 3,80 e R$ 4, respectivamente.

A entrada de dólares voltou a superar a saída no acumulado de junho até dia 24, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central. Nos 18 dias úteis do mês, o fluxo de dólares ficou positivo em US$ 1,87 bilhão, revertendo o resultado negativo em US$ 360 milhões registrado até a semana anterior.

No acumulado deste ano, até a última sexta-feira (24), no entanto, a saída de dólares ainda é maior que a chegada em US$ 4,9 bilhões. No mesmo período de 2015, o ingresso superou as retiradas em US$ 3,5 bilhões. (AG)

tags: economia

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