Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 18 de julho de 2016
Dias antes da renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados, a jornalista Cláudia Cruz postou no Facebook seu horóscopo, cujo início era: “Cuida do teu parceiro. O amor é isso”. Já havia muito que a situação de Cunha, a quem Cláudia conheceu na década de 1990, estava delicada. O Supremo Tribunal Federal aceitara a segunda denúncia contra ele na Lava-Jato. Poucos dias antes, a própria jornalista havia virado ré na vara federal comandada pelo juiz Sérgio Moro.
Mas mesmo depois que passou a responder ao processo por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Cláudia tentou manter a rotina, fazendo coisas triviais, como postar o horóscopo no Facebook, onde mantém seu perfil fechado ao público, e comentar as fotos postadas pela família nas redes sociais.
O mesmo horóscopo que falava sobre o cuidado com o parceiro sugeria: “Deves considerar mudar-te para um ambiente mais vivo e ativo”. Nem precisava disso. Àquela altura, a jornalista já estava mais em Brasília do que no Rio, acompanhando o marido em sua peregrinação para evitar a cassação. Por isso, nos últimos tempos, não tem sido vista com frequência no condomínio em que mora com Cunha no Rio.
Na academia onde Cláudia ia, no Rio, a assiduidade também já não é a mesma. Em vez de ir no estabelecimento, que tem mensalidade de mais de 700 reais, a mulher do peemedebista tem feito os exercícios físicos em Brasília.
Na capital federal, ela já foi vista no shopping mais luxuoso da cidade. O seu gosto pelas grifes já era conhecido por seu círculo de amizades e as aparições da jornalista, vez ou outra, ficavam por conta das colunas sociais. Veio a Lava-Jato, e as investigações chegaram a Cunha e à família. Denúncia do Ministério Público Federal afirma que ela recebeu do marido, em uma conta no exterior, valores desviados no esquema de corrupção da Petrobras. Para os procuradores, os recursos foram usados para pagar faturas de cartões de crédito. Entre os gastos, estavam compras em lojas de grifes na Europa. A defesa de Cláudia diz que ela não tinha como desconfiar que depósitos feitos pelo marido poderiam ter origem ilícita.
É justamente o gosto de Cláudia pelas grifes que vem gerando comentários negativos de internautas em um perfil antigo no Instagram de Barbara Cunha, a filha mais nova do casal. As críticas estão, principalmente, nas fotos em que aparecem Cunha e a mulher. Barbara abandonou esse perfil, criou outro e fechou o acesso ao público.
Bons restaurantes.
Um hábito da jornalista é ir a bons restaurantes. E isso não mudou com a Lava-Jato. Dois dias antes de Cunha renunciar, ela estava no Mr. Lam, no Rio, com amigos, inclusive tirando selfies.
Um lugar que ela nunca foi de frequentar, mas deixou completamente de ir, é a Câmara. A primeira filha de Cunha, a publicitária Danielle Dytz, era vista com mais frequência porque oferecia trabalho de assessoria e divulgação de mandatos. Mas, desde que seu nome também foi envolvido nas denúncias, ela não tem ido mais à Casa. Danielle não foi denunciada, mas, segundo a força-tarefa da Lava-Jato, ainda é investigada por ser beneficiária de uma das contas no exterior. O advogado de Cláudia e Danielle, Pierpaolo Bottini, disse não saber como anda a rotina das clientes: “Não acompanho isso”. (AG)
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