Segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 20 de agosto de 2016
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Na reunião de emergência que teve ontem em São Paulo com a cúpula do governo (ministros) e do Congresso Nacional (presidentes das Casas), o presidente interino Michel Temer delineou as primeiras ações a serem tomadas após a sua oficialização no cargo, a partir do dia 3 de setembro. Os temas centrais foram a economia e a gestão: acelerar as discussões sobre a Lei Orçamentária de 2017 – que será enviada ainda neste mês ao Legislativo – e traçar uma agenda internacional forte para combater a tese do PT de que houve golpe.
Bom dia
Temer pegou muita gente de surpresa ao telefonar pessoalmente, ontem pela manhã, para os integrantes da tropa de choque – dentre eles, o líder do governo na Câmara dos Deputados, André Moura (PSC-SE).
O cotado
Foi Henrique Meirelles, titular da Fazenda, quem comandou a reunião no escritório paulistano da Presidência da República. Isso mostra de que o homem está crescendo politicamente no governo.
Faltou o Bauer
Uma dúvida crucial assombra os envolvidos no caso e a imprensa que o acompanha: Por que a polícia de São Paulo não indiciou o chefe de gabinete do pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), Talma Bauer, por favorecimento pessoal, ao dar R$ 20 mil e prometer R$ 50 mil à jornalista Patrícia Lélis, que acusa o parlamentar de agressão, assédio e tentativa de estupro?
Mais denúncia
Ontem, o Supremo Tribunal Federal recebeu a denúncia enviada pela Delegacia da Mulher e encaminhou o caso à PGR (Procuradoria-Geral da República), a fim de decidir se pede inquérito ou não na Corte. Por ter foro privilegiado, Feliciano será investigado pela Polícia Federal. A PGR já avalia outras duas denúncias, de grupos de parlamentares, sobre o caso.
Só barulho
A CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) da OEA (Organização dos Estados Americanos), com sede em Washington (EUA), pediu esclarecimentos ao governo brasileiro sobre o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Só para tumultuar.
Olha quem chegou
Quem acaba de se tornar secretário-executivo da CIDH é o petista Paulo Abrão, ex-braço-direito do então ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e hoje advogado de Dilma.
Lembrete
A ex-senadora e ex-ministra Ideli Salvatti (PT-SC) e o seu marido continuam empregados com altos salários em Washington – presente de Dilma – representando o governo brasileiro na OEA.
Fim do ciclo
Um dos personagens principais do Congresso à época do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, o ex-senador Pedro Simon (PMDB-RS), esteve no Congresso há dias e cravou à Coluna: “O País vive hoje o fim de um ciclo de impunidade e de coisas erradas que foram multiplicadas”, em referência ao PT e à Dilma.
Novos tempos
Para Simon, a situação de Dilma e do Brasil hoje é pior que a de Collor e a crise de 1992. “É bem mais grave. A esperança é de que um novo Congresso, independente, renasça depois desse ciclo”, disse ele.
Tucano voa
Além de iniciar o expediente por volta das 16h, o ministro José Serra (Relações Exteriores) não perde compromissos – em sua maioria, políticos – em seu Estado. Se preciso, o tucano encara a ponte aérea Brasília-São Paulo três vezes em um mesmo dia, como o fez recentemente. Em voos da FAB (Força Aérea Brasileira), claro.
“Quero civilidade”
Foi censurado o registro de imagens das faces constrangidas de Dilma e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ontem, no Palácio da Alvorada. Ele se limitou a detalhar o roteiro do julgamento, o qual a petista já sabia de cor e salteado. Ela avisou que irá à tribuna do Senado “desarmada” e que espera “civilidade” por parte dos parlamentares.
Sem flashes
Não foi dos melhores o clima da reunião entre eles no Alvorada. Permanece incógnito quem, de fato, pediu o encontro – Calheiros ou Dilma.
Ponto Final
“Qualquer deputado pode pedir à Câmara a abertura de processo contra o presidente. Dizer que isso é golpe é falta de assunto.” – Do ex-ministro de Lula e hoje encarcerado José Dirceu, em 1999, quando o PT panfletava o pedido de impeachment do então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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