Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 11 de novembro de 2016
Um novo dispositivo permitiu que dois macacos recuperassem o uso de suas pernas paralisadas ao transmitir sinais cerebrais sem fio, contornando suas lesões na medula espinhal, segundo um estudo publicado, na quarta-feira (9), pela revista científica Nature.
O dispositivo implantável, chamado interface neuroprotética, foi desenvolvido por uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, e poderá ser testado para tratar casos de paralisia em seres humanos.
“Pela primeira vez, posso imaginar um paciente completamente paralisado capaz de mover suas pernas através dessa interface cérebro-coluna”, disse Jocelyne Bloch, neurocirurgiã do Hospital Universitário de Lausanne.
Conector entre cérebro e coluna.
A interface consiste em um conector de múltiplos componentes entre o cérebro e a coluna, que é implantado e decodifica sinais da parte do córtex motor responsável pelos movimentos das pernas.
Em seguida, retransmite esses sinais em tempo real para a região lombar da coluna vertebral que ativa os músculos das pernas para andar.
Nos dois casos de testes com macacos, a interface foi capaz de retransmitir sem fios as instruções de movimento, contornando a área danificada da coluna que causava a paralisia.
Um dos macacos recuperou parcialmente o uso da perna paralisada na primeira semana após a implantação do dispositivo, enquanto o outro precisou de duas semanas para conseguir caminhar, disse a Nature em uma nota de imprensa.
Feito inédito.
A revista observou que a tecnologia implantável que decodifica sinais cerebrais permitiu anteriormente que um paciente humano movesse uma mão protética ou robótica. Mas a utilização de uma interface neuroprotética para ativar um músculo complexo da perna em um primata foi um feito inédito, acrescentou a Nature.
O cientista líder do projeto inovador, Gregoire Courtine, alertou que “pode levar vários anos até que todos os componentes desta intervenção possam ser testados em pessoas”.
Segundo o cientista Andrew Jackson, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, citado pela Nature, é possível que os primeiros ensaios clínicos com humanos possam ser realizados “antes do final desta década”.
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