Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de maio de 2017
Um dos alvos da 40ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada nessa quinta-feira, usou a Lei de Repatriação para lavar dinheiro, informou o MPF (Ministério Público Federal). O ex-gerente da estatal Márcio de Almeida Ferreira, que foi preso hoje, tinha 48 milhões de reais em contas nas Bahamas e, no final do ano passado, fez a regularização cambial do montante, alegando que os recursos vieram da venda de um imóvel.
Conforme o procurador Diogo Castor de Mattos, o ex-gerente pagou tributos sobre o valor repatriado e, assim, “esquentou” o dinheiro que “certamente tem origem em propina proveniente de corrupção na Petrobras”. A nova fase da Lava-Jato, batizada de Asfixia, tem como foco ex-gerentes da Petrobras suspeitos de terem recebido 100 milhões de reais em propinas de empreiteiras. Esse montante foi movimentado pela empresa de consultoria Akyzo, segundo Renata da Silva Rodrigues, delegada da Polícia Federal.
As investigações apontaram que a Akyzo e a Liderrol, outra empresa de consultoria, faziam contratos falsos com fornecedoras tradicionais da Petrobras, como Andrade Gutierrez, Odebrecht, Carioca Engenharia e Queiroz Galvão, para intermediar e repassar as propinas a funcionários da estatal.
A força-tarefa identificou 15 contratos que foram usados para pagar propina. Somados, eles atingem o valor de 5 bilhões de reais. Segundo relatos de colaboradores, havia a cobrança de 1% em propina sobre o valor das obras. Os crimes teriam acontecido entre 2003 e 2016.
Os crimes continuaram a ser cometidos mesmo após três anos de início da Lava-Jato. A 40ª etapa da Operação foi baseada, principalmente, na delação premiada de Edison Krummenauer, ex-gerente de empreendimentos da área de Gás e Energia da estatal.
Os comentários estão desativados.