Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de maio de 2017
Em sua delação premiada, o ex-marqueteiro do PT João Santana relatou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva agiu em 2014 para que a então mandatária do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, retirasse Graça Foster do comando da Petrobras porque a dirigente estava “fechando a torneira” para as construtoras que faziam obras da estatal.
Ele sugere que, à época, não via relação entre as críticas do líder petista e os pagamentos das construtoras para o partido, mas que hoje compreende melhor os fatos. “Ele nunca dava a entender que, fechando essa torneira, estaria acabando com uma forma de pagamento, mas hoje percebo que havia algo mais”, declarou o delator. “Eu não posso dizer isso com convicção, pois isso cria uma nuvem de significados que podem ser um pouco diferentes.”
Santana também contou que, por partilhar da “intimidade estratégica” com Lula e Dilma, eventualmente era requisitado para levar mensagens entre os dois petistas. “Diga à presidenta Dilma que a Graça está atrasando sistematicamente o pagamento, e muitas empresas vão parar obras importantes porque não estão recebendo”, teria dito Lula a Santana.
Ele diz ter repassado as críticas a Foster à então presidenta, que não teria feito nenhum comentário sobre o assunto: “Muitas vezes Dilma reagia a algumas coisas com um simples muxoxo ou frases do tipo ‘Eu sei o que estou fazendo’, mas nunca passava disso”.
Ainda segundo Santana, Lula se queixou de que as prestadoras de serviço estavam sem recursos e que isso poderia trazer danos à campanha de Dilma. “Ele não citava quais as empresas que estavam ameaçando parar. Vinha uma fila enorme de empresários se queixar a mim e eu não tinha coragem e nem acesso a ela”, afirmou. “De acordo com o ex-presidente Lula, tinha obras que ficariam comprometidas, e parar essas obras significaria dano de imagem muito grave à presidenta.”
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