Sábado, 26 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 15 de maio de 2017
Documentos obtidos do STM (Superior Tribunal Militar) mostram que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) admitiu, em 1987, ter cometido atos de indisciplina e deslealdade em relação aos seus superiores no Exército. O então capitão foi acusado por cinco irregularidades e teve que a responder a um inquérito comandado por três coronéis.
Ele foi considerado culpado, mas recebeu a absolvição depois de ter um recurso acolhido pelos ministros do STM, por oito votos a quatro. O processo tinha como alvo um artigo que ele escreveu em 1986 para a revista Veja (reivindicando aumento salarial para a tropa) e a declaração, no mesmo periódico, de que ele e outro oficial haviam elaborado um plano para explodir bombas-relógio em unidades militares do Rio de Janeiro.
Pela autoria do artigo, Bolsonaro foi preso durante 15 dias, por “ferir a ética, gerar inquietação na organização militar e ser indiscreto em assuntos de caráter oficial”. O Exército detectou um movimento para desestabilizar o comando e determinou uma investigação, a mando do general e então ministro Leônidas Pires, alvo de Bolsonaro.
Em interrogatório reservado de 1987, o então capitão assinou um documento reconhecendo a transgressão. Depois, a revista publicou que ele e outro capitão haviam elaborado um plano chamado “Beco sem saída”, prevendo uma série de detonações – como evidência, a revista divulgou esboços atribuídos a Bolsonaro e confirmados por laudo da Polícia Federal.
“O nosso Exército é uma vergonha nacional”, acrescentava o futuro deputado. Os coronéis decidiram, por unanimidade, pela condenação: “Bolsonaro mentiu durante todo o processo, quando negou a autoria dos esboços publicados na revista Veja, como comprovam os laudos periciais”.
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