Domingo, 11 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de maio de 2017
O diretor do grupo J&F, que controla a JBS, desenhou o “mapa da propina” paga ao mundo político. Os números apresentados pelo delator Ricardo Saud mostram que a JBS deu dinheiro a quase todos os partidos: 1.829 candidatos receberam do grupo.
Eles são de 28 partidos. Foram eleitos 179 deputados estaduais, 167 deputados federais, 28 senadores e 16 governadores.
O delator Ricardo Saud contou por que a JBS pagava tanta gente, sem direcionar a partido A ou B, sem preocupações ideológicas. Ele disse que a política da empresa era fazer “reservatório de boa vontade”, ou seja, doações mesmo sem contrapartida prévia.
Segundo detalhou o delator, dos mais de R$ 500 milhões doados a políticos pela empresa, no máximo R$ 10 milhões ou R$ 15 milhões não foram propina. Essa montanha de dinheiro era repassada em contas no exterior, em espécie – e as quantias eram levadas em malas e bolsas –, em doações oficiais – propina disfarçada de doação legal –, ou por meio de empresas ligadas ao políticos.
A JBS pagou todo tipo de despesa, algumas de serviços de interesse dos candidatos, outras pra serviços que não foram prestados. As notas fiscais eram frias: uma forma de dissimular os pagamentos de propina. Os delatores apresentaram provas
Para repassar valores ao senador Eduardo Braga, do PMDB, a JBS apresentou notas do aluguel de um jatinho com capacidade para nove passageiros e dois tripulantes, para ser usado de abril a novembro de 2014, um ano de eleição.
As duas notas da JBS mostram que o gasto chegou a R$ 6 milhões.
A empresa repassou R$ 1 milhão para o ex-ministro Henrique Eduardo Alves, também do PMDB, por meio desse contrato de advocacia, e R$ 3 milhões ao ex-senador Antonio Carlos Rodrigues, do PR, usando essa nota, de um serviço com uma empresa de engenharia de telecomunicações. (AG)
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