Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de maio de 2017
Assim que a Justiça retirou o sigilo do áudio de um diálogo entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo JBS/Friboi, a imprensa foi tomada por uma guerra de interpretações sobre o registro sonoro.
As primeiras questões sobre eventuais edições no registro da conversa foram levantadas nos dias seguintes à divulgação do áudio. Na última sexta-feira, a Folha de S.Paulo, citando como fonte um perito contratado pelo próprio jornal, apontou ao menos 53 edições na gravação. Foi o início de uma série de versões, algumas delas utilizadas pelo próprio Temer para reforçar a tese de que é vítima de uma conspiração.
No mesmo dia, O Estado de S. Paulo citou outro especialista, segundo o qual havia 14 “pequenos cortes de edição”. No sábado, o presidente Michel Temer citou o parecer encomendado pela Folha de S.Paulo.
No domingo seguinte, foi a vez de diversos braços da Rede Globo contestarem a reportagem da Folha. Em um episódio raro de ataque a uma reportagem de outro veículo, uma matéria do jornal O Globo pôs em dúvida as credenciais do perito contratado pela Folha, sugerindo que ele não passava de um amador.
O texto disse que foram usados programas gratuitos de computador na perícia, e que o perito frequentava programas sensacionalistas na TV, nos quais comentava sobre “a presença de fantasmas” em fotografias. O jornal também entrevistou o perito, que pareceu recuar das suas conclusões anteriores.
Já na segunda-feira, a revista Veja afirmou que a gravação original tinha 50 minutos e não 38. Na tarde do mesmo dia, foi a vez do perito contratado pela defesa de Temer apresentar as suas conclusões. Ricardo Molina, conhecido desde a década de 1990 por sua atuação em casos rumorosos, convocou uma coletiva de imprensa para dizer que o áudio apresentava problemas.
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