Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de junho de 2017
As principais associações de jornalismo do País repudiaram o ataque verbal sofrido pela jornalista Míriam Leitão, colunista da Globonews e do jornal O Globo, por parte de delegados do PT durante um voo da companhia Avianca entre Brasília e o Rio de Janeiro. Segundo a jornalista, ela foi ameaçada, xingada e chamada de “terrorista” durante a viagem por cerca de 20 pessoas.
O diretor-executivo da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Ricardo Pedreira, afirmou que a associação se solidariza com a jornalista e que o comportamento violento revela autoritarismo. “É preocupante esse tipo de manifestação de intolerância em relação à atividade jornalística. Revela autoritarismo, obscurantismo e um lamentável comportamento violento. A entidade se solidariza com Míriam, na certeza de que ela continuará fazendo o jornalismo de grande qualidade que sempre fez”, disse.
Já a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) divulgou nota repudiando o comportamento dos passageiros que “de maneira covarde e intolerante, atacaram a colunista Míriam Leitão”. Para a associação, não há nada que justifique assédio violento a qualquer cidadão por suas posições ou seus atos. “Infelizmente, o acirramento de posições políticas tem levado à proliferação de situações como essa, seja em aviões, restaurantes e mesmo hospitais”, afirma.
O que disse o PT
Na terça-feira, o PT afirmou em nota oficial assinada pela senadora paranaense Gleisi Hoffmann (presidente nacional do partido) que “lamenta o constrangimento” sofrido pela jornalista. Depois de dizer que orienta sua militância a “não agredir qualquer pessoa por suas posições políticas ou ideológicas”, o partido atribuiu parte do acirramento do ódio e da radicalização no País ao trabalho da imprensa, no caso da Rede Globo.
“O Partido dos Trabalhadores lamenta o constrangimento sofrido pela jornalista Miriam Leitão no voo entre Brasília e o Rio de Janeiro no último dia 3 de junho, conforme relatado por ela em sua coluna de hoje. Orientamos nossa militância a não realizar manifestações políticas em locais impróprios e a não agredir qualquer pessoa por suas posições políticas, ideológicas ou por qualquer outro motivo, como confundi-las com as empresas para as quais trabalhem”, diz a primeira parte do comunicado.
“Entendemos que esse comportamento não agrega nada ao debate democrático. Destacamos ainda que muitos integrantes do Partido dos Trabalhadores, inclusive esta senadora, já foram vítimas de semelhante agressão dentro de aviões, aeroportos e em outros locais públicos.
Não podemos, entretanto, deixar de ressaltar que a Rede Globo, empresa para a qual trabalha a jornalista Miriam Leitão, é, em grande medida, responsável pelo clima de radicalização e até de ódio por que passa o Brasil, e em nada tem contribuído para amenizar esse clima do qual é partícipe. O PT não fará com a Globo o que a Globo faz com o PT”, finaliza o texto.
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