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Brasil A Receita Federal apreendeu mais de mil animais contrabandeados por correspondência

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Escorpiões, cobras e salamandras foram retidos na operação. (Foto: Reprodução)

Uma força-tarefa do Ibama, da Receita Federal e dos Correios apreendeu em São Paulo, nas duas últimas semanas, mais de mil animais nas correspondências que saem do Brasil e chegam ao País. Técnicos do Ibama de várias partes do Brasil fizeram plantão no setor de remessas internacionais dos correios para a Operação Hermes. Especialistas do Ibama treinaram os funcionários dos Correios para ajudar a reconhecer os malotes contrabandeados.

A ação conseguiu interromper a viagem de muitas caixas contendo coisas que, ou não deveriam estar ali, ou deveriam ter autorizações específicas para serem despachadas. Nos pacotes foram encontradas duas cobras, salamandras e escorpiões-imperadores, todos ainda vivos. Chifres de kudu, um mamífero africano, que vieram de Israel foram apreendidos antes de chegar ao destinatário final.

Casacos de pele de um animal chamado mink e caixas com cílios postiços, feitos com o pelo desse mesmo animal vieram da China. A operação também interrompeu exportações irregulares.

No setor internacional dos Correios, que funciona como uma fronteira entre o Brasil e os outros países são 8 mil remessas diárias só de exportação – um volume gigantesco. Mas nem tudo segue viagem. As chapas de jacarandá da Bahia e os arcos feitos de pau-brasil – árvores ameaçadas de extinção – serviriam para fazer instrumentos musicais na Alemanha, Suíça e nos Estados Unidos, mas não estavam com todas as certificações.

A operação chegou a interceptar malotes mandando mais de mil borboletas e mariposas do Brasil para o exterior sem os documentos exigidos. “Esse material todo que está entrando no Brasil ou está saindo do Brasil, se está saindo é patrimônio nacional, do povo brasileiro, pode ser material genético importante. E o que está entrando pode ser algo nocivo à fauna e flora do Brasil. Então, é importante esse papel de identificação para ajudar o Ibama na tutela da fauna e flora brasileira”, explica José Edilson Marques Dias, superintendente do Ibama de São Paulo. Os animais que ainda estavam vivos foram levados ao Instituto Butantan e ao Aquário de São Paulo.

Escorpiões

Em outra ação, o Ibama e a Polícia Militar de Meio Ambiente de Uberaba recuperaram uma encomenda dos Correios com 60 escorpiões-imperador (Pandinus imperator). Os animais que saíram da Nigéria foram colocados em uma caixa, como correspondência. Ao chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, no dia 5 de junho, foi descoberto, através do sistema de raio-x, que dentro do pacote estavam 13 escorpiões vivos e 47 mortos. Um força-tarefa foi feita com auxílio dos Correios e a caixa foi entregue ao destinatário original, na cidade do Triângulo Mineiro.

Desde que os animais foram interceptados, as autoridades policiais começaram uma investigação constatou que a correspondência, que saiu da África no dia 24 de abril, seria levada para um técnico em veterinária, de 24 anos, e um estudante de biologia, de 22. Eles foram encaminhados à Polícia Federal, onde foram ouvidos e liberados. Os jovens admitiram que iam vender ou trocar os escorpiões.

“Eles responderão pelo crime de introdução da espécie escorpião-imperador em território brasileiro. A pena prevista é de três a seis meses (de reclusão) e eles assinaram um termo e foram liberados. O Ibama efetivou uma multa de cerca de R$ 200 mil pelo ilícito praticado”, explicou o delegado da Polícia Federal, Luiz Carlos de Oliveira.

O escorpião-imperador, espécie típica da floresta tropical da África, é um dos maiores escorpiões do mundo. As fêmeas ficam grávidas por até nove meses e dão à luz os filhotes vivos, porém, sem o exoesqueleto. Os aracnídeos nascem macios e com a coloração branca, e andam ao redor da mãe até a primeira troca de exoesqueleto. Muitas pessoas costumam adotar exemplares de escorpião-imperador como bichos de estimação, já que eles brilham no escuro e são sociáveis, com vida útil entre cinco e oito anos. (AG)

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