Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de agosto de 2017
O Senado instalou na quarta-feira a CPI do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), aberta para investigar empréstimos do banco para internacionalização de empresas, desde 1997. Um dos focos de apuração são as operações de financiamento do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS, cuja delação levou à investigação do presidente Michel Temer e fragilizou o governo.
Depois de um acordo mediado pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), a presidência da comissão ficou com o senador Davi Acolumbre (DEM-AP), e a vice, com Sérgio Petecão (PSD-AC). Autor do pedido de abertura da CPI, o senador Roberto Rocha (PSB-MA) vai relatar.
Na próxima terça-feira (08), a CPI fará uma reunião administrativa. O primeiro encontro para definição do plano de trabalho e recebimento de requerimentos ocorrerá no dia 15 de agosto.
Segundo Roberto Rocha, a CPI deverá convocar os irmãos Joesley e Wesley Batista, delatores da JBS, além de integrantes do Ministério Público, como o procurador-geral Rodrigo Janot, e as últimas direções do BNDES, incluindo a atual.
“O Senado vai poder sinalizar para o mercado interno e o externo que o BNDES é uma instituição séria. O governo americano, onde estão os irmãos Batista, vai saber que o Senado está cumprindo o seu dever, buscando investigar o que foi feito aqui, um plano de fuga que alarmou todos os brasileiros. Eles estão morando nos Estados Unidos, mas naturalmente vão ter que vir aqui prestar esclarecimentos à sociedade brasileira”, disse Rocha.
O senador afirmou que a CPI não será focada em apenas uma empresa, mas que gostaria de esclarecer a escolha de investimentos no exterior, em detrimento do Brasil. Ele citou construtoras flagradas em crimes na Operação Lava-Jato, como OAS e Odebrecht, como alvos da CPI.
A CPI tem prazo de seis meses de trabalho, que pode ser prorrogado uma vez.
Objetivos do BNDES
O presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, afirmou que o objetivo do banco é voltar a aproximar o volume de recursos destinados à oferta de crédito a um patamar histórico de 100 bilhões de reais anuais. Rabello destacou que o previsto para o ano de 2017 é da ordem de 67 bilhões de reais e afirmou que há a intenção de que esse montante aumente pela frente, mas não especificou o período para que isso ocorra.
Durante seminário sobre financiamento a micro, pequenas e médias empresas na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) na capital paulista, Rabello considerou que o conjunto do crédito ainda está em processo de queda, refletindo uma piora na atividade econômica. Apesar disso, avaliou que já é possível ver “os primeiros sinais de alento para a retomada da produção industrial”.
O presidente do BNDES afirmou que há disposição para elevar o crédito a micro, pequenas e médias empresas. “Queríamos muito que ocorresse nos próximos doze meses aumento substancial nas operações de crédito do banco”, declarou, acrescentando que essa fatia tem crescido. De acordo com Rabello, as micro, pequenas e médias empresas representavam 31% do crédito no banco no primeiro semestre de 2016 e passaram a representar 40% nos primeiros seis meses deste ano. (AE)
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