Quarta-feira, 04 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de julho de 2015
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta quinta-feira que o vice-presidente da República, Michel Temer, está sendo “claramente sabotado” e defendeu que ele deixe a articulação política do governo com o Congresso. “Temer entrou para tentar melhorar essa articulação política, e está claramente sendo sabotado por parte do PT. Eu acho até que, para continuar desse jeito, ele deveria deixar a articulação política”, afirmou.
“Do jeito que está indo aqui, o governo se misturando com o PT no mesmo mal, o PMDB quer ficar longe dessa articulação política porque isso não está fazendo bem para o PMDB e ao mesmo tempo o governo como está se comportando dentro da Casa não está fazendo bem a ele”, acrescentou.
As afirmações foram uma reação de Cunha às críticas de parlamentares que questionam votações polêmicas, como a que garantiu a aprovação da redução da maioridade penal a partir da votação de emendas. “Isso é choro de quem não tem voto, de quem está entrando em agenda que não é da sociedade. Não é a toa que o governo está indo para 9% de popularidade e está do mesmo tamanho de quem apoia a manutenção da idade penal”, disse Cunha.
Após as declarações de Cunha, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, disse que Temer tem “papel fundamental na governabilidade”. Edinho se encontrou com Temer no gabinete da vice-presidência, e na saída, foi questionado por jornalistas sobre as afirmações de Cunha. Silva disse que o presidente da Câmara tem o direito de se posicionar e que na democracia é necessário respeitar as opiniões.
“Todos que acompanham o dia a dia do governo, sabem que o governo da presidenta Dilma valoriza o vice-presidente Michel Temer, além da função institucional que está exercendo nesse momento, que é substituir a presidenta [quando ela está fora do País], ele também tem um papel fundamental na governabilidade”, frisou.
Sacrifício pessoal
Horas após o presidente da Câmara defender que Temer deixe a articulação política do governo, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, emitiu uma nota para tecer elogios a Temer e evitar ainda mais desgaste na coalizão governista. Conforme Mercadante, a presença do vice-presidente na articulação política do Palácio do Planalto “representa não apenas um gesto de desprendimento e sacrifício pessoal, como vem trazendo grandes resultados na relação com o Congresso Nacional”.
Para o ministro, Temer foi importante nas votações das principais medidas do ajuste fiscal, “aprovadas com algumas adequações”, e será fundamental também na votação da desoneração da folha de pagamento, que deve ocorrer nas próximas semanas no Senado.
Duelo
Nos bastidores, peemedebistas e petistas duelam para responsabilizar uns aos outros quando o governo perde votações importantes no Congresso, como foi o caso do reajuste do salário dos servidores do Judiciário, que passou no Senado na terça-feira.
Governistas reconheceram que o governo “cochilou” na articulação política, enquanto peemedebistas no Senado ironizavam com “cadê o Mercadante?”, após a votação. O ministro se defendeu dizendo que a articulação política não é responsabilidade da Casa Civil e que Temer “tem feito um bom trabalho”. Para Mercadante, “apesar de todos os esforços do governo, não foi possível adiar a votação” do reajuste dos servidores do Judiciário. Dilma deve vetar o projeto e propor uma alternativa que, segundo ministros, tenha menor impacto aos cofres públicos. (Jacqueline Guedes com agências)
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