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Brasil Se for homologada, a delação premiada do operador de propinas do PMDB deve ser incluída em eventual denúncia contra Michel Temer

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Conteúdo da delação de Funaro é mantida sob sigilo. (Foto: Agência Brasil)

Parte do conteúdo do acordo de delação premiada do operador financeiro Lúcio Funaro deverá ser incluída em eventual nova denúncia contra o presidente Michel Temer que vier a ser apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

De acordo com investigadores, dentre outros assuntos o doleiro trata das suspeitas de que Temer teria cometido obstrução de Justiça. Os indícios de que o chefe do Executivo estaria atrapalhando as investigações da Operação Lava-Jato surgiram na colaboração de executivos do grupo JBS/Friboi, que incluiu gravações de conversas no Palácio do Jaburu (residência oficial de Temer em Brasília) pelo empresário Joesley Batista, um dos donos do conglomerado frigorífico.

Na avaliação do MPF (Ministério Público Federal), o diálogo de Michel Temer com Joesley mostra que houve a anuência do presidente da República para manter o pagamento de propina ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao próprio Funaro para que eles não fechassem acordo de delação. A defesa de Temer nega as acusações dos delatores.

O acordo foi assinado há uma semana na sede da PGR, em Brasília. Depois disso, o operador financeiro passou a prestar depoimentos aos investigadores. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pretende usar informações prestadas por Funaro na segunda denúncia que pretende enviar contra o presidente Michel Temer.

A primeira denúncia contra Temer – por corrupção passiva – foi apresentada em junho, mas a Câmara dos Deputados rejeitou o prosseguimento do processo para o STF (Supremo Tribunal Federal), livrando-o.

Homologação

A delação do operador financeiro Lúcio Funaro, cujo conteúdo é mantido sob sigilo, chegou nessa terça-feira ao gabinete do ministro Luiz Edson Fachin, do STF. Cabe ao magistrado, relator da Operação Lava-Jato na Corte, homologar o acordo firmado pelo doleiro com a PGR.

Só depois disso é que o MPF poderá utilizar as informações prestadas pelo operador de propinas de Cunha para realizar investigações.
Antes de homologar a delação, o ministro deverá convocar o colaborador para confirmar se o acordo foi assinado de forma espontânea ou fruto de alguma forma de pressão – esse tipo de questionamento é praxe em processos com essa característica.

Nas conversas com a PGR, Funaro detalhou a sua atuação como operador financeiro do PMDB na Câmara dos Deputados. O grupo político que está na mira das suspeitas é liderado pelo presidente Michel Temer e tem como principais integrantes diversos ministros e ex-comandantes de pastas do primeiro escalão de governo.

A lista inclui nomes como Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Geddel Vieira Lima (ex-titular da Secretaria de Governo) e Henrique Eduardo Alves (Turismo), além, é claro, de Eduardo Cunha, preso em Curitiba (PR) desde outubro do ano passado, por ordem do juiz federal Sérgio Moro.

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