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Mundo Donald Trump causa revolta ao acabar com a lei que protegia 800 mil jovens filhos de imigrantes. Empresários e políticos criticam o presidente. Protestos tomam conta de Washington e Nova York

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O lançamento do livro sobre bastidores da Casa Branca deve ocorrer na próxima terça. (Foto: Reprodução)

O governo dos Estados Unidos anunciou nessa terça-feira o fim do programa de Ação Diferida para os Chegados na Infância (Daca, na sigla em inglês), criado pelo ex-presidente Barack Obama, e que protegia da deportação 800.000 jovens imigrantes. O programa concedia vistos de residência e de trabalho por dois anos, renováveis, aos jovens que chegaram aos Estados Unidos de forma ilegal quando eram crianças. A partir desta terça, o Departamento de Segurança Nacional americano não aceitará mais nenhuma nova inscrição no projeto.

Donald Trump, que assumiu a presidência em janeiro determinado a cumprir a promessa eleitoral de combate a toda imigração ilegal, vinha sendo cobrado constantemente pelos republicanos mais conservadores e por seus próprios eleitores para assumir uma posição sobre o Daca.

Porém, segundo a imprensa local, apesar de ter suspendido as novas inscrições, a administração do presidente decidiu prorrogar o funcionamento do programa para os imigrantes já beneficiados por mais seis meses. De acordo com o portais de notícias, o prazo teria como objetivo dar tempo ao Congresso para criar um plano alternativo para os jovens que vivem no país sem visto.

O Daca

O projeto foi criado pelo ex-presidente Barack Obama em 2012, por meio de um decreto. O democrata pretendia melhorar a situação dos jovens imigrantes no país diante da impossibilidade de aprovar – em um Congresso dominado pelos republicanos – a Lei DREAM (“Development, Relief and Education for Alien Minors Act”), ou Lei de Desenvolvimento, Alívio e Educação para Menores Estrangeiros.

Por isso, os imigrantes levados quando crianças para os Estados Unidos passaram a ser chamados de “Dreamers” (sonhadores), em referência à lei, mas também ao sonho de conseguir uma vida melhor nos Estados Unidos.

O procurador-geral americano Jeff Sessions seria um dos responsáveis pela tomada de decisão de Donald Trump. Segundo a imprensa local, Sessions, conhecido por sua postura anti-imigração, teria aconselhado o presidente a passar a responsabilidade sobre a questão ao Congresso, por considerar que estabelecer normas sobre migração compete mais ao Legislativo que ao Executivo.

Mais cedo, Trump postou em sua página no Twitter uma mensagem direcionada ao Congresso americano. “Congresso, prepare-se para fazer o seu trabalho – DACA!”, escreveu.

Críticas

A suspensão do Daca foi duramente criticada por Barack Obama. Em uma publicação no Facebook, o ex-presidente chamou a decisão de Trump de “cruel” e “autodestrutiva”. “Atingir esses jovens não é certo – porque eles não fizeram nada de errado”, escreveu o democrata, que pediu ao Congresso americano que proteja “estes jovens e nosso futuro”.

O ex-vice-presidente Joe Biden também se opôs à medida de Trump. “Trazido pelos pais, essas crianças não escolheram vir para cá. Agora eles serão enviados para países que nunca conheceram. Cruel. Não é a América”, tuitou.

Executivos, políticos e grupos em defesa de direitos civis também criticaram. Procuradores-gerais dos Estados de Washington, Nova York, Califórnia e Massachusetts anunciaram ações legais contra o fim do programa.

Para Dulce Matuz, presidente do Arizona Dream Act Coalition, a decisão do presidente foi covarde e vazia: “Trump lavou as mãos, não apresentou uma proposta, jogou a responsabilidade para o Congresso e sequer apareceu para o anúncio, deixando o trabalho sujo com Sessions”, afirmou, destacando que os jovens estão frustrados, tristes e, alguns, desesperados. “Os imigrantes fizeram e fazem este país, com ou sem papéis. E vale lembrar que o Daca só existe pela incompetência de democratas e republicanos em aprovar uma lei séria.”

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