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Brasil Palocci conta em depoimento que pré-sal financiaria projeto do PT no poder

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Ex-ministro fez relatos que comprometem o ex-presidente. (Foto: Reprodução)

Antonio Palocci, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, disse na quarta-feira (6), em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, que o pré-sal financiaria o projeto do PT no poder.

Segundo Palocci, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a ele que o pré-sal “é o passaporte do Brasil para o futuro” e que “vai pagar as contas nacionais, vai ser o grande financiador das contas nacionais, dos grandes projetos do Brasil”.

O ex-ministro depôs no inquérito que apura o pagamento de R$ 12 milhões de propina da Odebrecht para Lula na forma de um apartamento e na compra de um terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula.

A defesa de Lula diz que Palocci fez “acusações falsas e sem provas” enquanto negocia delação com Ministério Público.

O depoimento

O juiz Sérgio Moro voltou a questionar Palocci sobre o conhecimento de Lula a respeito da corrupção na Petrobras. O ex-ministro, então, detalhou o plano do ex-presidente para usar os recursos do pré-sal no financiamento da campanha de Dilma Rousseff à presidência.

“Voltando onde nós encerramos na última parte, o senhor mencionou que o senhor ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha conhecimento da corrupção na Petrobras. Mas, aí, o senhor mencionou que ele teria orientado a aumentar a reserva partidária, o senhor pode esclarecer melhor?”, perguntou Moro.

“Posso. Ah, em meados de 2010, talvez nesse mesmo período que nós estamos tratando, ele me chamou para uma reunião na biblioteca do Palácio do Alvorada, eu era deputado. Nessa reunião, estava José Sergio Gabrielli [ex-presidente da Petrobras], eu e a ministra da Casa Civil, presidente Dilma. Nesse momento, ela já era candidata. Talvez, não aprovada ainda em convenção, mas já era definida como candidata, era pacífico isso”, relatou.

“O presidente falou, foi a primeira vez que ele falou dessa maneira tão direta. Mas ele falou: ‘Olha, eu chamei vocês aqui porque o pré-sal é o passaporte do Brasil para o futuro, é o que vai nos dar ener… combustível pra um projeto político de longo prazo no Brasil. Ele vai pagar as contas nacionais, vai ser o grande financiador das contas nacionais, dos grandes projetos do Brasil. E eu quero que o Gabrielli faça as sondas pensando neste grande projeto para o Brasil. Mas o Palocci está aqui, Gabrielli, porque ele vai lhe acompanhar nesse projeto pra que ele tenha total sucesso e pra que ele garanta que uma parcela desses projetos financie a campanha dessa companheira aqui, Dilma Rousseff, que eu quero ver eleita presidente do Brasil'”, acrescentou.

“Então, ele encomendou pro Gabrielli que, através das sondas, pagasse a campanha da presidente Dilma em 2010, obviamente pedindo às empresas os valores que seriam destinados à campanha”, finalizou Palocci a Moro.

 Palocci também foi questionado sobre outros assuntos e respondeu a todas as perguntas. Ele disse:

  • Que Lula tinha um “pacto de sangue” com Emílio Odebrecht que envolvia um “pacote de propina”: um terreno para o Instituto Lula, o sítio para uso da família do ex-presidente, além de R$ 300 milhões, e queLula sabia que se tratava de dinheiro sujo.
  • Que as propinas foram pagas pela Odebrecht para agentes públicos “em forma de doação de campanha, em forma de benefícios pessoais, de caixa um, caixa dois”.
  • Que foram pagos R$ 4 milhões da Odebrecht para o Instituto Lula.
  • Que ele e Lula tentaram atrapalhar os trabalhos da força-tarefa da Lava Jato.

Palocci está preso desde setembro do ano passado e já tem uma condenação a 12 anos de prisão na operação Lava Jato. Depois do depoimento, ele foi levado de volta à carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, onde segue preso.

Pacto de sangue e “pacote de propina”

Palocci contou a Moro que no final de 2010, quando o mandato de Lula estava chegando ao fim, Emilio Odebrecht procurou o ex-presidente para fazer um pacto que envolvia um “pacote de propinas”. Segundo Palocci, a empresa “entrou num certo pânico” com a posse da presidente Dilma.

Palocci afirmou que Lula o chamou no Palácio do Alvorada e contou sobre a reunião com Emilio Odebrecht. O ex-ministro disse que as relações da empresa com os governos de Lula e de Dilma eram “bastante intensas”.

Dinheiro e terreno para instituto

Palocci disse a Moro que pediu para Marcelo Odebrecht dinheiro para cobrir um buraco nas contas do Instituto Lula. “Em 2012, 2013, eu volto a tratar de alguns recursos a pedido do ex-presidente Lula. Tem um episódio, que o Marcelo relatou, que é verdadeiro. É um pedido que eu fiz a ele, de R$ 4 milhões pro Instituto Lula. Isso é verdade.” (AG)

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