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Brasil Em apenas dois anos, fraudadores brasileiros furtaram os dados de mais de 1 milhão de cartões de crédito

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Ataques tiveram como foco principal os sistemas de caixas registradoras. (Foto: Reprodução)

Informações de pelo menos 1,5 milhão de cartões de crédito foram furtadas por criminosos brasileiros no perído entre 2015 e 2017. O ataque tinha como foco principal os “Points of Sale” (também conhecidos pela sigla POS), sistemas de caixa registradora em estabelecimentos comerciais, a exemplo das caixas de lojas e supermercados.

O crime foi descoberto durante a realização de análises de rotina pela empresa brasileira de cibersegurança Tempest e a divulgação dos dados ocorreu nesta semana.

Para os usuários, segundo o especialista, é importante ficar atento ao extrato do cartão a fim de identificar eventuais compras efetuadas por terceiros.

De acordo com os pesquisadores, o volume de dados roubados pode ser maior, uma vez que a investigação sugere que os criminosos estão em atividade desde 2013 – a informação encontrada foi acumulada desde 2015.

Conforme Ricardo Ulisses, líder de análise de ameaças da Tempest, o foco do trabalho foi a compreensão do ataque em si. Por isso, não identificaram quais as empresas e pessoas afetadas, tampouco os criminosos envolvidos.

Apesar disso, é possível afirmar que empresas brasileiras foram vítimas da fraude –o que não significa que estrangeiras também não possam ter sido afetadas.

“A gente entende a preocupação [de encontrar os fraudadores], mas acreditamos que mais importante é você fechar o buraco para impedir que outro atacante possa fazer isso também”, afirma Ulisses.

Os dados analisados pela Tempest mostram dados relacionados exclusivamente a supermercados. Ulisses, no entanto, ressalva que “é bem provável que eles tenham conseguido empresas de diversos tipos”.”É como se tivesse um monte de coisa embaixo do tapete e fôssemos levantando aos poucos, não conseguimos ver tudo de uma vez”, diz.

O ataque foi batizado de “HydraPOS”, pois possui diversas “cabeças” – assim como a figura mitológica da Hídra. Várias ferramentas diferentes foram usadas para roubar as informações, algumas delas compradas de outros criminosos e outras desenvolvidas por eles mesmos.

Apesar de as informações de transação por cartões de crédito serem criptografadas, os criminosos conseguiram esses dados porque os extraíam quando eles eram decifrados pelos sistemas de caixa registradoras no processo de autorização da compra.

Falhas

Na avaliação dos técnicos da Tempest, operações como a “HydraPOS” se aproveitam de três falhas comuns em empresas: o uso de ferramentas de administração mal configuradas, a definição de senhas frágeis e a ausência de um padrão para a segurança de seus sistemas.

Entre as medidas de segurança recomendadas para as empresas de varejo, estão manter os sistemas atualizados e controlar melhor quem pode ter acesso a ele. O uso de autenticação em dois fatores, como tokens e biometria (como uma etapa de verificação além da senha), também é sugerido.

tags: Brasil

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