Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de outubro de 2017
Ao longo das três horas e 23 minutos de discurso na abertura do Congresso do Partido Comunista da China, na semana passada, Xi Jinping, dirigente máximo do regime, descreveu a China como “grande potência” 26 vezes. Previu que, em 2050, o país “se tornará potência global líder” e “terá posição de destaque entre as nações”. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Ficaram para trás os tempos em que a ditadura chinesa pregava a modéstia e seguia a máxima do líder Deng Xiaoping (1904-97): “Esconda sua força e espere pacientemente pela oportunidade”.
A China perdeu os pudores e vem preenchendo o vácuo de liderança mundial deixado pelo presidente norte-americano Donald Trump, alérgico a concertações multilaterais.
Enquanto Trump defende os “EUA em primeiro lugar” e rasga acordos comerciais como a Parceria Transpacífico e o Acordo de Paris sobre o clima, a China reforça seu financiamento a instituições como a ONU e seu compromisso com a mitigação do aquecimento global. Chineses assumiram postos de liderança no Banco Mundial, na Interpol e em outras organizações. Os EUA anunciaram que vão sair da Unesco, o braço da ONU para patrimônio histórico e cultural.
Em artigo no The Wall Street Journal em maio, integrantes do gabinete de Trump diziam que “o mundo não é uma ‘comunidade global’, mas uma arena onde nações, ONGs e empresas se relacionam e disputam vantagens”.
Já o dirigente da maior ditadura do mundo roda o globo pregando “comunidades com futuro compartilhado com a humanidade” e criticando o isolacionismo de Trump -“nenhum país pode se recolher à sua própria ilha, vivemos em um mundo compartilhado e encaramos um destino compartilhado”.
O projeto de Xi é oferecer a “solução chinesa”, expressão lançada em julho do ano passado, para o mundo. “O Partido Comunista da China e o povo chinês têm confiança em poderem oferecer uma solução chinesa para a busca da humanidade por instituições sociais melhores”, disse Xi no aniversário do partido.
No Fórum Econômico Mundial em Davos, em janeiro deste ano, Xi foi mais assertivo. Apresentando-se como defensor do livre comércio, disse que a China deveria “guiar a globalização econômica”. No mês seguinte, em Pequim, subiu a aposta afirmando que o país deveria “guiar a sociedade internacional” para “uma ordem mundial mais justa e racional.”
Para ganhar influência, os chineses apostam na arma que já vêm usando há algum tempo, o financiamento. Eles criaram o Banco de Investimento em Infraestrutura da Ásia e do Novo Banco de Desenvolvimento (ou Banco dos Brics). A iniciativa da Nova Rota da Seda (também chamada de “Belt and Road Initiative”) prevê mais de US$ 100 bilhões para bancos de desenvolvimento na China financiarem pontes, estradas, portos e projetos energéticos em mais de 60 países.
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