Terça-feira, 20 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de julho de 2015
No auge da pior crise em seus quatro anos e meio de governo, a presidenta Dilma Rousseff desafiou os que defendem sua saída prematura do Palácio do Planalto a tentar tirá-la do cargo e a provar que ela algum dia “pegou um tostão” de dinheiro sujo. “Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso aí é moleza, é luta política”, disse a mandatária em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
Apesar do cerco político que parece se fechar a cada dia, Dilma chamou os opositores para a briga. “Não tem base para eu cair, e venha tentar. Se tem uma coisa que não tenho medo é disso”, afirmou a presidenta, acusando setores da oposição de serem “um tanto golpistas”.
Com dedo indicador direito erguido, a chefe do Executivo foi mais enfática: “Não me atemorizam”. A presidenta tirou o PMDB da lista de forças políticas que tentam derrubá-la. “O PMDB é ótimo”, disse Dilma, esquivando-se de responder sobre o flerte de figuras do partido com a tese do impeachment.
Dilma descartou a hipótese de renúncia e comentou o boato disseminado na internet, e prontamente desmentido por ela, de que havia tentado se matar. “Eu não quis me suicidar na hora que eles estavam querendo me matar lá [na cadeia, durante a ditadura militar], a troco de que eu quero me suicidar agora?”, destacou.
A presidenta falou sobre a aposta que a oposição faz ao prever que ela não terminará seu mandato. “Isso do ponto de vista de uma certa oposição um tanto quanto golpista. Eu não vou terminar por quê? Para tirar um presidente da República tem que explicar por que vai tirar. Confundiram seus desejos com a realidade, ou tem uma base real? Não acredito que tenha uma base real. Não acho que toda a oposição seja assim. Assim como tem diferenças na base do governo, tem dentro da oposição.” E desafiou: “Alguns podem até tentar. Não é necessário apenas querer, é necessário provar”.
Dilma comentou ainda sobre a Operação Lava-Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras. “Falam coisas do arco da velha de mim. Óbvio que não [tenho nada a ver com o esquema]. Mas não estou falando que paguei conta nenhuma também. O Brasil merece que a gente apure coisas irregulares. Não vejo isso como pagar conta. É outro approach. Muda o País para melhor. Ponto. Agora excesso, não [aceito]. Comprometer o Estado Democrático de Direito, não. Foi muito difícil conquistar. Garantir direito de defesa para as pessoas, sim. Impedir que as pessoas sejam de alguma forma ou de outra julgadas sem nenhum processo, também não [é possível].” (Folhapress)
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